A preciosa arte de ficar quieto e seguir a vida.
É melhor não dizer nada do que falar uma besteira.
Fique quieto.
É sério, fique quieto.
Eu sei, esse conselho parece absurdo e soa como mais uma daquelas coisas que o Pablo Marçal diria em suas palestras. Afinal, a cultura moderna nos incentiva a falar e a nos exibir cada vez mais, como se isso gerasse créditos sociais — do contrário, não teríamos tantos idiotas com milhões de seguidores nas redes sociais.
Acontece que o povão não foi avisado sobre um efeito colateral do excesso de opiniões que está causando problemas sérios para muita gente.
Falar demais diminui sua credibilidade.
A palavra é como o dinheiro: quanto maior a circulação, menor o valor.
Quando você fica distribuindo opiniões desnecessárias e falando mais do que deve, sem critério algum, é quase certo que será visto como um tagarela carente de atenção. Principalmente quando a maior parte do seu repertório se resume a opiniões pessoais.
Todos nós, em algum momento, já ouvimos a frase “Ninguém pediu sua opinião”. Na maioria das vezes, a interpretamos como um insulto ou uma grosseria. Mas não deveríamos. Na verdade, ela é o antídoto perfeito contra pessoas inconvenientes que vivem de falação de merda para sustentar o vício em validação social.
Um exemplo prático: agora que estou compartilhando esta reflexão, quero ouvir o que você pensa a respeito para termos uma discussão saudável. Nessa situação, estou claramente pedindo sua opinião.
Mas, daqui a pouco, vou para minha escrivaninha desenhar um pouco e dar vazão ao excesso de criatividade acumulada. Se eu tiver vontade, posto o resultado nos Notes do meu Substack apenas para mostrar um pouco do meu lado criativo para o meu público, nada mais. Me diz aí: agora estou pedindo opiniões? Não!
Ou seja: se você desconfia que ninguém pediu sua opinião, não dê.
Inclusive, vou confessar: fico muito irritado quando acabo lendo textos com opiniões totalmente desnecessárias que… ninguém pediu.
Mas o que faço com essa irritação?
Depende da situação.
Se eu estiver no meio da rua, nem dou IBOPE. Aperto o passo, fecho a cara e dou aquela encarada que coloca o sujeito em seu devido lugar.
“Mas Henrique, e se o cara for atrás de você para caçar encrenca?”
Bem, aí eu transformo meus punhos em instrumentos odontológicos e dou-lhe um atendimento gratuito, sem anestesia.
Mas se eu estiver na internet, a coisa é ainda mais simples. Eu ignoro o comentário e, dependendo do que foi escrito, aperto o botão de denunciar.
Depois disso, vida que segue.
Afinal de contas, em um mundo onde a regra é dizer palavras vazias, economizar verbos é um ato de rebeldia. :D
SOBRE O AUTOR
Assim como 90% dos brasileiros, Henrique Morrone é um CLT lascado que escreve sobre o que der na telha. Tanto na Então tá, pessoal! quanto em seus projetos paralelos Pedaços de Papel e Ignorância.org, seus textos o farão rir, pensar, chorar e ter uma crise existencial ao mesmo tempo.






