Antes de começarmos esta quarta edição de Cartas e Travessias da Casa IS, nossa publicação trimestral dedicada aos balanços, projetos e novidades da IS Editora, vale recordar um pouco do que compartilhamos na edição anterior. Assim, se esta é a primeira vez que você lê uma das nossas newsletters, poderá acompanhar a história sem se perder pelo caminho… ou, pelo menos, não muito! rsrsr
Na edição anterior: quase 30 anos de histórias, encontros e travessias!
Na terceira edição, revisitei as origens da IS Impérios Sagrados, que completará 30 anos em abril de 2027. Contei como uma mesa de RPG entre amigos, iniciada em 1997, no Rio Grande do Sul, atravessou cidades, gerações e inúmeras aventuras até se transformar em um universo narrativo que continua vivo. Também expliquei as diferenças entre o RPG Impérios Sagrados e a IS Editora, duas iniciativas que nasceram da mesma história, mas que hoje possuem identidades e propostas distintas, embora profundamente conectadas.
Apresentei também os caminhos que estamos construindo, desde a adaptação do nosso cenário de RPG para Pathfinder Segunda Edição Remaster até a expansão da Casa IS no Substack, acolhendo novas vozes e fortalecendo nossa comunidade literária e cultural. Encerramos aquela edição com as contribuições de três integrantes da nossa diretoria, Welyson, Caroline e Bernardo, que compartilharam suas experiências, os desafios da gestão, os projetos em desenvolvimento e aquilo que os mantém comprometidos com a IS. Um balanço de nossa trajetória, mas também um olhar para o futuro de uma história que continua sendo escrita coletivamente.
O que mudará a partir de dezembro?
Não é segredo para ninguém que, desde fevereiro de 2025, eu, Cristian, editor da IS, juntamente com a Diretoria, composta por Bernardo, Caroline e Welyson, temos olhado para a empresa como um todo e nos preocupado especialmente com as vendas dos nossos livros. A partir daqui, falaremos sobre os livros que temos em nosso catálogo, depois sobre o Substack e, por fim, sobre a Mesa de Jogo e os 30 anos da IS.
A Editora
Uma frase, em um curso que eu fiz, justamente preocupado com a venda de livros, ficou martelando na minha cabeça:
Quem vende um livro é o autor, não a editora. A editora publica e abre caminhos, mas ninguém melhor do que quem escreveu a obra para despertar o desejo de lê-la. É quando o autor fala de sua história, de suas inquietações e do que o levou a escrever que conquista a confiança do público. Porque livros não se vendem apenas pela divulgação, mas pelo desejo que despertam em quem ainda não os leu!
Enquanto empresa, fizemos reuniões, enviamos mensagens privadas às nossas autoras e autores, e a realidade é que quase a totalidade das escritoras e escritores que lançaram livros conosco não trabalha suas próprias obras nas redes sociais. E isso não é uma cobrança ou acusação, é um fato. E, diante desse fato, tomamos medidas. Quais medidas?
Primeiro, começamos com cursos pagos voltados para editoras; depois, produzimos publicações sobre os livros de nossas autoras e autores em diversas mídias sociais; falamos extensivamente sobre as obras em nosso podcast; impulsionamos publicações pagas no Instagram e no Facebook e, aqui mesmo no Substack, recorremos a publicações colaborativas com outras escritoras e escritores, especialmente quando abrimos as inscrições para que mais pessoas pudessem fazer parte da Casa IS. Contratamos uma empresa que trabalha com marketing e divulgação. Ampliamos nossa Mesa de Jogo de RPG, inovando no ambiente virtual, investindo em uma plataforma e adaptando nosso sistema de jogo. Trabalhamos com o Catarse como uma maneira de alcançar mais pessoas e ampliar nosso público leitor. A ideia por trás de tudo isso é, e continua sendo, gerar uma narrativa transmídia que conecte tudo o que fazemos, especialmente para impulsionar a venda de livros.
Mas nada disso gerou resultados que realmente fizessem a diferença nas vendas. Contratamos a empresa terceirizada de marketing durante três meses, mas os resultados também foram insuficientes. E, quando houve algum retorno, ele foi ínfimo, incapaz de contribuir significativamente para que a IS Editora pudesse pagar suas próprias contas. Desde agosto deste ano, estamos realizando um teste deliberado: deixamos de anunciar algumas obras em nossas mídias sociais para observar se haveria alguma manifestação de interesse por parte de quem já publicou conosco. Esperávamos, quem sabe, receber uma mensagem perguntando: “Ei, por que meu livro não está sendo anunciado?” Mas o teste, até a data de hoje, só nos trouxe silêncio. Ninguém falou absolutamente nada. Tivemos, inclusive, que fechar o site de vendas diretas da editora, pois praticamente não havia vendas por aquele canal, com exceção das obras de minha autoria, que divulgo e trabalho constantemente nas minhas redes sociais.
E, diante disso, uma questão ética surgiu: até que ponto é justo manter autoras e autores vinculados a contratos editoriais, com obras em nosso catálogo que praticamente não vendem e que, muitas vezes, sequer são divulgadas por quem as escreveu?
Afinal, se a editora não consegue garantir resultados comerciais e parte de suas autoras e autores também não participa ativamente da divulgação, qual é o sentido de manter essas obras contratualmente vinculadas à IS? Não seria mais honesto reconhecer os limites dessa relação e repensar os compromissos assumidos por ambas as partes?
Porque publicar um livro é também assumir responsabilidades, e elas não podem existir apenas no papel de um contrato.
Eu me sinto mal, seja enquanto editor ou mesmo como pessoa, por ter que tomar decisões que envolvam a retirada de obras do nosso catálogo. Contudo, não posso me eximir da responsabilidade ética que tenho com cada pessoa que faz parte do que carinhosamente chamamos de Casa IS. Também não posso ficar preso àquela preocupação: “Como vou falar com meu amiguinho que o livro dele não vende e que ele não trabalha a própria obra?”. Falando, ué! Porque, por mais difícil que seja, precisamos conversar sobre aquilo que não está funcionando. E acredito que a honestidade é uma forma de respeito com quem confiou sua obra à nossa editora. Enquanto diretor-editor eu continuo errando em vender livros, no caso, em não conseguir ser o editor que eu gostaria em termos de planejamento de vendas. E essa questão toca, também, as outras diretorias que não descobriram a “fórmula“.
E por que dezembro? Por uma única razão: realizaremos uma grande campanha de divulgação de todo o nosso catálogo. Mas não será uma campanha em que a editora pegará na mão de cada autora e autor (o que fizemos até aqui) para dizer: “Olha, você precisa fazer vídeos, publicar posts, falar sobre seu livro, anunciá-lo”. Não! Se você é autora ou autor da IS Editora, o recado está dado! rsrsrs E cada uma dessas pessoas sabe que pode procurar o nosso diretor de Marketing, Bernardo, para conversar sobre como trabalhar e divulgar sua obra. Sempre estivemos e continuamos à disposição para isso.
Temos ainda três contratos, referentes a três futuras publicações da IS Editora. Depois disso, não publicaremos mais obras de fora, não abriremos novos editais nem faremos novas publicações de autores externos até ao menos 2028. A partir de então, publicaremos somente os livros relacionados à Mesa de Jogo de RPG da IS. Precisamos arrumar a casa e nos concentrar nos livros que tem mais procura. Do contrário, nunca conseguiremos vender outras obras.
Em dezembro, faremos publicações sobre TODAS as obras do nosso catálogo e, em janeiro de 2027, iniciaremos a retirada de determinadas obras, comunicando formalmente, por escrito, as respectivas autoras e autores, conforme as disposições contratuais aplicáveis. Também realizaremos o repasse individual dos royalties referentes ao ano de 2025, conforme previsto em contrato. Tudo de forma ética, responsável e transparente. Sempre!
Vamos reduzir para podermos nos concentrar e não fechar a editora. E esperamos o apoio e compreensão de quem está na jornada até aqui e faz parte da Casa IS.
Substack
Quando migramos da plataforma Medium para o Substack, por pura teimosia minha, após escutar o escritor Fabio Pires, eu sentia que seria algo inovador para os parâmetros da IS como um todo. E de fato tem sido. Pessoalmente eu gostaria de ter mais tempo para ler tantos textos maravilhosos que vejo aqui. E é isso que me motiva a dizer que independentemente do futuro da IS Editora, o Substack veio para ficar como uma das partes mais importantes de quem faz parte da nossa Casa.
É inegável o salto que tivemos em termos de diálogo e participação nas publicações desde que migramos para o Substack há quase dois anos e queremos que essa participação aumente ainda mais. Ainda existem erros em nossa comunicação dentro do nosso próprio Grupo de Escritoras e Escritores da Casa IS, mas acredito que estamos no caminho e espero que em 2027 tenhamos mais assertividade interna nesse quesito.
O grande foco do primeiro edital que abrimos era podermos ter um grupo que fizesse posts em colaboração conosco e uns com os outros, umas com as outras. Agora o foco do segundo edital que será aberto, além da continuidade dos posts em colab, será termos um Podcast voltado totalmente para o Substack e também, acolhermos novas ideias para quem faz parte dessa plataforma.
Queremos ampliar as nossas forças por aqui e realmente valorizar quem faz parte do Substack! Logo sairá um novo Edital! Até agora somamos 470 pessoas compartilhando sonhos, desejos, escrita e queremos que mais pessoas se sintam parte da Casa IS.
A Mesa de Jogo de RPG e os 30 anos da IS
Como eu mencionei no início dessa publicação, a história da IS enquanto empresa tem seu inicio com a mesa de jogo de RPG que deu origem a editora. E em fevereiro de 2027 completaremos 30 anos de jogo de RPG! E, claro, comemoraremos fazendo jogatinas com quem já passou pela Mesa e com quem ainda não sabe nada sobre RPG.
Para quem não conhece o RPG, talvez seja difícil entender a importância de falar sobre isso. Afinal, o RPG é um jogo colaborativo de interpretação de personagens, em que cada pessoa participa da construção de uma história, sem falas decoradas ou um roteiro fechado. É como um teatro livre, no qual as pessoas interpretam suas personagens, tomam decisões e constroem juntas os rumos da narrativa. Mas, para quem joga RPG, especialmente entre amigos e amigas, sabe que é precioso viver essas grandes aventuras em conjunto com outras pessoas. Não se trata apenas de jogar, mas de compartilhar ideias, criar memórias, enfrentar desafios e construir histórias que só existem porque cada pessoa está ali, participando e fazendo a diferença.
Ao longo de quase três décadas muitas pessoas passaram pela Mesa de Jogo da IS e deixaram alguma marca no Cenário de jogo da IS que está completamente disponível em nossa Wiki. Hoje, somos oito jogadores e jogadoras ativos na mesa, além de uma pessoa que joga solo, mas cujo impacto na narrativa é tão significativo quanto o de todos os demais em conjunto. Queremos, também, abrir uma segunda mesa de jogo para expandir o cenário, ampliar a narrativa e possibilitar que mais pessoas se tornem protagonistas de suas próprias histórias!
Se você já joga RPG ou quer saber como jogar, fala com a gente e faça parte dos nossos 30 ano de história!
Palavras da Diretoria rsrs
Caroline: Espero que possamos andar nos projetos da IS dando cada vez mais espaço a novas vozes. Junto com isso que não retocedamos, que possamos continuar a viver num país democrático e possamos manter nossos direitos adquidos ao longo dos anos. E que o Substack continue crescendo como comunidade que sejamos muitos a trilhar esse caminho juntos .
Welyson: Espero chegar com a cabeça um pouco mais limpa em 2027, focar nos projetos e temas que mais deram voz ao nosso pensamento e que corresponderam acima das nossas espectativas nesse ano, espero expandir o nosso universo de RPG, seja pelas lives ou pelo cenário oficial, andamos muito nesse ano, mas ainda sinto que fui tragado por outros temas e não consegui dar a atenção total que ele merece.
Penso que não podemos baixar a bandeira da luta contra a extrema direita independente do resultado das eleições e mesmo após o fim delas. Curiosamente hoje eu vi um podcast dizendo que RPG não é lugar de política, o que sinceramente é ridículo, afinal precisamos sempre lutar por um mundo melhor, seja na ficção ou realidade, e deixar de expressar isso em qualquer lugar é apenas permitir fingir que nada está acontecendo, se isentar. E no fundo todo isento concorda com o que está acontecendo, sendo apenas um opressor covarde
O Substack é junto do universo de RPG da IS, uma das maravilhas que evoluíram esse ano e espero que cada vez mais vozes se unam as nossas e que ecoem cada vez mais alto, com ideias, cultura e luta.
Bernardo: A IS Editora carrega o mesmo espírito das fantasias grandiosas que publicamos: Somos protagonistas e nos aventuramos buscando por uma força interior que vá mudar o mundo, mesmo que seja apenas um pouco. Acredito que em 2027 estamos prontos para empunhar uma nova lâmina que sirva de bússola para o futuro, romper velhos medos e cortar antigas perspectivas. Estou animado, apesar das dificuldades, não temo à escuridão sozinho e isso é o que nos faz coletivo, somos vozes a ecoar em cada espaço que podemos ocupar e quando precisamos ocuparemos justamente aqueles em que não nos querem lá.
Faça parte da Casa IS você também!
Cartas e travessias da Casa IS #03 — Há quase 30 anos contando uma grande história!
Em abril de 2027, a Impérios Sagrados completa 30 anos. E, ao longo deste texto, você compreenderá melhor por que existe uma diferença entre a IS Editora e o RPG Impérios Sagrados, mesmo que ambos compartilhem a mesma raiz.
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