Checkpoint Geek
Não sei vocês, mas, de uns tempos para cá — talvez nos últimos dois anos —, percebi que perdi boa parte da expectativa que costumava ter pelos chamados jogos AAA. É claro que ainda existem séries e produtoras pelas quais continuo bastante interessado. A FromSoftware talvez seja o exemplo mais óbvio para mim. Mas, fora algumas exceções, jogos que deveriam me deixar ansioso simplesmente não conseguem mais fazer isso.
Foi assim com Marvel’s Spider-Man 2, está sendo assim com Wolverine e, por mais estranho que pareça diante de toda a expectativa ao seu redor, acontece até quando penso em GTA VI. Sei que são produções gigantescas e não duvido de que possam ser excelentes. Ainda assim, alguma coisa parece ter mudado na minha relação com esses lançamentos. Talvez seja uma espécie de apatia em relação aos AAA.
São jogos cada vez maiores, mais caros e tecnicamente impressionantes, mas que nem sempre despertam em mim aquela sensação de estar descobrindo alguma coisa diferente. E isso fica ainda mais evidente quando olho para jogos menores. Slay the Spire, The Binding of Isaac, Enter the Gungeon, Hollow Knight e tantos outros conseguiram despertar uma curiosidade que tenho encontrado com cada vez menos frequência entre os grandes lançamentos. Parece existir sempre algum jogo menor disposto a experimentar uma mecânica, uma estética ou simplesmente uma ideia estranha que eu ainda não tinha encontrado.
Talvez seja justamente essa sensação de descoberta que esteja fazendo falta. Até remakes de jogos que conheci na infância ou novos capítulos de franquias aclamadas já não conseguem me conquistar apenas pelo peso de seus nomes. Enquanto isso, é muito fácil encontrar um indie sobre o qual nunca ouvi falar, assistir a alguns minutos dele e pensar: “eu quero jogar isso”.
E existe ainda o preço para acompanhar os grandes lançamentos. Não é apenas comprar um jogo novo: é pensar no valor desses jogos, em ter um console atual ou manter o hardware de um PC capaz de acompanhá-los. Quanto maiores ficam essas produções, maior também parece ser o investimento necessário para simplesmente participar delas.
Não acho que os grandes estúdios tenham deixado de produzir bons jogos. Longe disso. Talvez seja apenas uma mudança no meu próprio gosto depois de tantos anos jogando. Mas também me pergunto se esses projetos não ficaram tão grandes, caros e dependentes de atingir públicos enormes que experimentar se tornou um risco difícil demais de assumir.
No fim, fico com uma dúvida: os jogos AAA estão perdendo parte do seu brilho ou somos nós que começamos a procurar outras coisas nos videogames?
Quem Estava Lá Conta
O que começou como uma simples mesa de RPG entre amigos e amigas acabou se transformando em algo muito maior: uma narrativa viva, contínua e atravessada pelo tempo. Há mais de 29 anos, o Universo Impérios Sagrados (ou simplesmente: IS) acompanha não apenas personagens, reinos, guerras e deuses, mas também a vida de quem passou por essa mesa enquanto jogadora e jogador.
Tudo começou… A visão do Mestre do Jogo: Cristian
… e assim chegamos em 2026 agora com o streaming da mesa da IS no Youtube. Nesta sessão da newsletter, vamos apresentar um pouco dessa trajetória: suas origens, momentos importantes e algumas das histórias que ajudaram a construir o Universo Impérios Sagrados ao longo de quase três décadas:
Welyson Pereira, também conhecido como Nefesh
Agora que nos aproximamos dos 30 anos de Impérios Sagrados, percebo que é difícil separar a história de Nefesh da minha própria história dentro de IS. Diferente dos meus colegas que já passaram por aqui com seus depoimentos, eu ainda estou na mesa. Sua história continua sendo escrita na mesaa de jogo e, olhando para essa terceira década de Impérios Sagrados, é interessante perceber o quanto nós dois mudamos durante esse tempo.
Lembro bem de quando comecei a jogar e Christian me apresentou um universo que já carregava cerca de 20 anos de história contínua. Um mundo transformado pelas mesas que vieram antes de mim, pela passagem do tempo e pelas histórias e aventuras vividas por outros jogadores. Hoje, quase dez anos depois, posso olhar para a trajetória de Nefesh e perceber que também fizemos parte dessas transformações.
Mas, afinal, quem é Nefesh?
Nefesh é o atual Sumo Sacerdote da Vastidão de Séth, um antigo e vasto império composto por três reinos, separados em diferentes regiões do mundo por consequência de uma história que começou há mais de dez mil anos. Ele também é um deus menor do panteão da Vastidão, criado pelo próprio Séth para integrar suas tropas mais especializadas durante a guerra contra as Forças Universais.
Naquela época, Nefesh servia diretamente a Séth e protegia também sua família. Durante as antigas guerras contra as Forças Universais — existências de poder cósmico capazes de ameaçar o próprio firmamento —, a antiga Vastidão de Séth, até então o maior império que já existira, caiu. Séth e outras divindades pereceram ou desapareceram durante o conflito, e Nefesh recebeu uma última incumbência: proteger seus filhos e preservar sua linhagem e seu legado.
Esses filhos, porém, ainda eram crianças.
Nefesh fugiu com eles para uma região onde a Vastidão poderia um dia ser reconstruída a partir dos descendentes daquelas divindades. Durante os anos que se seguiram, deixou de ser apenas seu protetor. Ele criou aquelas crianças, cuidou delas e as amou, construindo uma relação que deixou de ser simplesmente a de um guerreiro encarregado de cumprir uma missão e se tornou algo muito mais próximo do vínculo entre pai e filhos.
Criado à imagem e semelhança de Séth, Nefesh permaneceu um seguidor obstinado de seu criador. Com o passar dos milênios e diante das necessidades de seu povo, tornou-se sacerdote e, posteriormente, Sumo Sacerdote, assumindo para si a responsabilidade de corrigir distorções que o tempo provocou na fé e nos costumes da Vastidão.
Ele é um homem de fé inabalável, de determinação quase inesgotável e que raramente demonstra medo diante do perigo ou da morte. Ao mesmo tempo, alguém que passou milênios entre deuses pode ser um completo desconhecedor de alguns dos mais simples costumes humanos.
Há cerca de 160 anos, Nefesh encarnou no mundo mortal e passou a caminhar entre os homens diante dos primeiros sinais de que antigas forças estavam retornando. Sua missão continuava sendo aquela que recebera milênios antes: proteger o legado e a linhagem de Séth.
Só que quase dez anos de jogo fizeram essa missão se tornar muito mais complicada.
Amizades, amores, inimizades, conflitos e, talvez principalmente, a quebra de esperanças e expectativas cultivadas durante milênios transformaram Nefesh. E continuam transformando. Quem acompanha nossa atual mesa oficial pode ver algumas dessas mudanças acontecendo diante de nós, porque frequentemente algo novo é simplesmente colocado em seu caminho e Nefesh precisa decidir como lidar com aquilo — mesmo quando preferiria não precisar fazê-lo.
Talvez seja justamente por isso que seja tão difícil separar o personagem do que esses dez anos significaram para mim. Jogar como Nefesh foi uma experiência que também me transformou e que acabou me levando muito além da própria mesa. Quando comecei a jogar, dificilmente imaginaria que, anos depois, estaria envolvido diretamente com Impérios Sagrados também como startup e editora.
Agora, quando IS se aproxima de seus 30 anos e Nefesh de seus dez anos de história, percebo que ele pertence a uma espécie de terceira geração desse universo. Um personagem que surgiu em um mundo que já possuía duas décadas de histórias e que, desde então, também passou a deixar suas marcas nele.
Tenho o prazer de ver o nome de Nefesh imortalizado nas páginas de Primogênitos do Sol e A Linhagem da Justiça, dois livros de Christian que contam partes da história de Impérios Sagrados. Mas tenho um prazer ainda maior em saber que sua história não terminou nessas páginas.
Ela continua sendo transformada a cada nova sessão.
E eu continuo tendo a oportunidade de fazer parte dessa aventura — dentro e fora da mesa de RPG.
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Eu nunca tive interesse no GTA novo que está pra ser lançado e no Spider man. Sempre tenho a sensação que estou pagando por um jogo que vai ter a mesma história, mesma problemática, mesma mecânica dos jogos anteriores e a única coisa que muda é que esses jogos ficam mais caros.
Quando fui na BGS em 2024 eu pude ver de primeira alguns desenvolvedores independentes e os jogos que eles estavam trabalhando era algo que me fazia ver e querer jogar mesmo que não fosse algo super top de linha como um jogo dos Guardiões da Galáxia.
Um dos maiores exemplos é o Mark of the Deep que é um jogo BR com a mesmo conceito de HADES e HADES II e eu amo esse tipo de jogo. A Arte desses tipos de jogo me atrai, as musicas e a própria história.
Um dos meus jogos favoritos é Undertale. Ele não tem gráficos ultra realistas, ele não tem mecânicas de jogo super elaboradas. Ele é um jogo em bit que até hoje ele atrai as pessoas e muita gente gosta de jogar. Eu gosto disso nos jogos, eu quero que ele me atraia não só com o visual ou porque tal marca tá criando ele.
Eu quero me envolver na história, nas artes. Eu gosto de ver os detalhes, gosto de ver cada detalhe que a gente nem sabe que era uma pessoa responsável por criar e adaptar aquilo.
E agora falando do Nefesh.
Mais uma vez vou falar por mim: Eu gosto muito quando tu fala sobre ele, do que ele fez, do que ele tá fazendo e do que ele fará. Tem a paixão, carinho e cuidado quando fala sobre ele.
Estando em mesa também e vendo com tu interpreta ele, é algo maneiro demais!
Por favor, sobreviva do seu lado que eu sobrevivo do meu pra que Bríar e Nefesh possam se conhecer kkkk
"Tenho o prazer de ver o nome de Nefesh imortalizado nas páginas de Primogênitos do Sol e A Linhagem da Justiça, dois livros de Cristian que contam partes da história de Impérios Sagrados. Mas tenho um prazer ainda maior em saber que suas história não terminou nessas páginas."... Esse parágrafo me conquistou!