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Pipoca na manteiga #27 Eu sinto que falhei como escritor e isso me entristece

Fico pensando que falhei em ser autor. Não é bem uma pergunta. E uma afirmação que carrega uma vida inteira.

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mar 20, 2026
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Nos últimos dias, lancei pela IS Editora o pré-lançamento do livro O colapso do pensamento. Até agora, foram apenas 5 apoios no Catarse. E, como era de se esperar, fiquei pensando: será que o que eu escrevo não é interessante? Será que eu falhei como escritor? Você já se sentiu assim?

Bem (bem mesmo não está). Vamos recapitular.

Minha carreira literária começou, propriamente falando, quando lancei o livro Milênios de Solidão pela Kotter Editorial, em 2022. Plena pandemia. Nem lançamento em algum lugar eu pude fazer. Não houve comemoração. Recebi um exemplar do livro pelos Correios; lembro que fui à Praça 29 de Março, aqui em Curitiba, que, óbvio, estava deserta, e tirei uma foto do livro. E foi isso.

Mas, muito antes disso, aos 16 anos, escrevi um livro chamado Impérios Sagrados: Sombras do Entardecer, que nunca foi lançado fisicamente. Tentei publicá-lo em e-book, pela Amazon, mas não gostei nada do resultado. Então, não considero que isso conte como uma tentativa enquanto escritor (sim, já levei pra terapia rsrsr).

O segundo e o terceiro livros, respectivamente A linhagem da justiça: A lenda de James Relsin’d II e O primogênito do Sol, foram lançados conjuntamente para inaugurar a IS enquanto editora. Lembro de muitos detalhes desse lançamento com carinho, cercado de amigos. E aí, nesse aspecto, começa a questão: somente amigos no lançamento. Ninguém desconhecido compareceu. E dificilmente os amigos que ali estiveram lerão o que escrevi. Foram por serem amigos, e não por serem leitores.

Depois disso, rompi o contrato com a Kotter Editorial para trazer o primeiro livro para dentro da IS Editora, transformando-o em Abandono, Ascensão e Queda, que integram a trilogia A Ruína de uma Era. E com a novidade de que outros autores e autoras escrevessem um capítulo adicional para cada um dos livros. E, no lançamento desses livros? Somente amigos, os mais próximos. Em número reduzido. Novamente: ninguém se interessou pelo que escrevi; compareceram por amizade.

O que eu escrevo não é interessante? Foi e é o que continuo me perguntando. Agora mesmo, enquanto escrevo estas linhas e meu marido tenta me fazer sorrir, sem imaginar que estou pensando que sou um fracasso enquanto escritor.

Participei das antologias Carne, palavra e osso: textos que a IA jamais conseguiria escrever; Mulher, literatura, identidade de gênero: violências do patriarcado e as resistências do feminino; e Afronta: o melhor do Slam. Lancei minha dissertação de mestrado Afeto. Paixão. Transgressão: no romance Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha; um estudo intitulado A Literatura e o RPG: a arte como um jogo de ficção; e, recentemente, minha tese de doutorado Narrativa Transmídia: história, conceitos e produtos em tons arco-íris. Pela Donizella Editora, participo do livro Gênero é água, junto a mais cinquenta autoras.

Sim. Olhando para todo esse percurso, não tem como não me questionar: é falta do quê? De escrever bem? De marketing? De pó de pirlimpimpim? Pois, simplesmente, meus livros não vendem. E olha que escrevo desde literatura, passo pela psicanálise e aprofundo a filosofia. Da alta fantasia, ou literatura fantástica, até livros acadêmicos. Não falta esforço, nem leituras, muito menos estudo. Ao contrário: sei que leio bastante.

Agora, no pré-lançamento do meu novo livro O colapso do pensamento: Hannah Arendt, a banalidade do ódio no Brasil bolsonarista, com apenas 5 apoios até agora, já não posso mais ignorar esse sentimento que cresce como uma erva daninha dentro de mim: o que escrevo é, ao menos, bom em algum sentido?

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