Pipoca na manteiga #29 - As festas que não celebro mais. Quando o feriado não me inclui mais
Quais festas eu realmente tem sentido para mim? Entre fé, norma e desejo: o dia em que entendi que celebrar também pode ser se apagar
Tem um momento em que o calendário deixa de ser neutro. As datas continuam lá, feriados, reuniões de família, mensagens de paz e amor, mas algo em mim já não acompanha. Eu olho para os feriados cristãos e não consigo mais celebrar como antes. Não é birra; eu nem tenho idade para isso. É um deslocamento que foi acontecendo aos poucos, até se tornar impossível ignorar. O que está sendo celebrado há anos não comporta quem eu sou.
Ser um homem gay, dentro dessa lógica, não é apenas uma diferença. É ser colocado, mesmo que de forma sutil, como alguém que desvia, que erra, que afronta. E isso não vem apenas de discursos explícitos. Vem do silêncio, das entrelinhas, das piadas, das ausências. Vem da sensação de que, para participar plenamente, eu precisaria ser outro.



