Eu já ouvi isso muitas vezes no consultório. Não como teoria, mas como confissão atravessada de cuidado, quase sussurrada. “Eu faço terapia, mas prefiro não comentar.” Ou então: “Eu queria indicar, mas fico meio sem jeito.” E o que me chama atenção não é só o fato de alguém sentir vergonha, mas o quanto essa vergonha ainda precisa ser protegida. Como se falar de análise fosse expor demais, revelar uma fragilidade que não deveria aparecer. E eu fico pensando o quanto isso diz menos sobre quem fala e mais sobre o lugar que a escuta ocupa no nosso tempo. Porque a gente vive num mundo que exige performance, resposta rápida, solução imediata. E a análise não oferece nada disso. Ela não promete resolver você. Ela te convoca a falar. E talvez seja justamente isso que incomode.
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