Durante muito tempo eu acreditei que indicar o trabalho de colegas era quase uma obrigação ética. Algo que fazia parte de uma ideia de rede, de construção coletiva, de fortalecimento mútuo. E eu fazia isso com convicção. Indicava, recomendava, colocava meu nome junto, apostava no trabalho de outras pessoas como se estivesse apostando no meu próprio. E, de certa forma, estava. Porque indicar alguém não é neutro. É colocar em jogo o próprio nome, a própria escuta, a própria posição. Só que, com o tempo, algo começou a me incomodar. Não era imediato, não era evidente, mas era constante. As indicações não voltavam. Nunca.
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