Pipoca na manteiga #35 — A paciente que sobreviveu a Auschwitz mudou minha escuta para sempre
Eu ainda tenho dificuldade de falar sobre essa paciente. Existem casos clínicos que desafiam teoria, técnica e formação. Este foi um deles. Talvez eu ainda não tenha conseguido elaborar completamente.
Há algum tempo venho pensando em escrever um livro sobre psicanálise, mas sempre me julguei incapaz de fazer isso. Síndrome do impostor: e quem não se sente assim às vezes?, como eu já ouvi, também, dos meus pacientes deitados ali no divã. O que eu falaria? O que eu teria a dizer? Que tema realmente importaria? E eis que, olhando para este espaço aqui no Substack, onde é possível estabelecer uma conexão mais próxima com você que acompanha o que eu escrevo, entendi algo importante sobre o luto. Sim, a morte dessa paciente anos atrás, pela idade avançada, deixou marcas em mim para além da relação analisante e analista.
Os casos clínicos relatados aqui referem-se a processos terapêuticos já encerrados ou, como neste caso, a pacientes que faleceram. Todos os elementos de identificação foram modificados ou omitidos para preservar integralmente a identidade e a privacidade das pessoas envolvidas, respeitando os princípios éticos da prática clínica. Como em toda escuta analítica, talvez alguns fragmentos encontrem ecos inesperados em quem lê. E, se algo deste relato tocar você de maneira mais íntima, talvez seja importante procurar um profissional de saúde mental.



