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Pipoca na manteiga #37 — Série Fundação: quando o futuro tenta prever a si mesmo... que loucuraaa

Preciso começar com uma confissão: eu não li os livros de Isaac Asimov. Então não me cobre isso. Já bastam os mais de 300 livros da minha estante esperando para serem lidos dizendo em coro me leiaaa!

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jun 06, 2026
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Sei da importância histórica da série Fundação para a ficção científica, conheço sua influência sobre praticamente tudo que veio depois, de Star Wars a Duna, mas minha experiência é exclusivamente com a adaptação da Apple TV. Portanto, o que vou comentar aqui não é a obra literária, mas a obra tornada série televisiva e aquilo que ela me provocou enquanto espectador.

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Para quem nunca ouviu falar de Fundação, a série acompanha uma crise que ameaça durar milhares de anos. Em um futuro distante, a humanidade vive espalhada por toda a galáxia sob o domínio de um gigantesco Império Galáctico. O matemático Hari Seldon, porém, desenvolve uma ciência chamada Psico-história, capaz de prever o comportamento de grandes populações, e descobre algo aterrador: o Império está condenado a cair, mergulhando a civilização em uma era de barbárie que pode durar trinta mil anos. Sua proposta é criar a Fundação, uma instituição destinada a preservar o conhecimento humano e reduzir esse período de escuridão para apenas mil anos. Ao longo da série acompanhamos personagens como o próprio Hari Seldon; Gaal Dornick, uma jovem matemática brilhante que se torna peça fundamental de seus planos; Salvor Hardin, guardiã de um dos mundos centrais da Fundação; Demerzel, a misteriosa conselheira imperial; e os Imperadores Cleon, uma dinastia formada por clones que tenta manter vivo um império (meio redundando já que eles se dizem “O Império” rsrs).

A premissa continua fascinante. A ideia de que Hari Seldon desenvolve uma ciência capaz de prever o comportamento de civilizações inteiras continua sendo uma das propostas mais ousadas já imaginadas pela ficção científica. O detalhe que mais me interessa é justamente o limite dessa ciência: ela não prevê indivíduos. O sujeito permanece imprevisível. É possível calcular impérios, populações, economias e tendências históricas, mas não a singularidade de uma pessoa. Como psicanalista, é impossível não me interessar por isso. Há algo profundamente lacaniano nessa falha da previsão absoluta. O sujeito insiste em escapar.

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