Pipoca na manteiga #38 — O amor mora entre a felicidade e a liberdade
No dia de hoje, talvez a pergunta não seja quem amamos, mas o que aprendemos a esperar do amor antes mesmo de saber amar.
Eu realmente queria ser uma pessoa de muito mais carinho em minhas relações, de abraços mais alongados ou de frases que acolhessem a pessoa sem refletir sobre a (merda) que ela muitas vezes está fazendo. Mas não sou. Ou, como diz meu analista, “se você quisesse ser essa pessoa, você seria” (e o danado tem razão, caraio). E começo o nosso santo Piroca na Manteiga já dando pedrada: as maioria das pessoas NÃO sabem amar. Sequer tem ideia do que isso significa.
“O amor está entre a felicidade e a liberdade”, escreve Regina Navarro Lins. Certamente fala de mim. Porque amar parece simples quando aparece nas músicas, nos filmes e nas propagandas de Dia dos Namorados. Mas basta dividir uma casa, uma rotina, uma cama ou uma vida com alguém para perceber que o amor também é feito de pequenas cenas aparentemente insignificantes. Dois pratos desaparecem da cozinha. Uma mensagem demora mais do que o esperado para ser respondida. Uma expressão muda de tom. E, de repente, estamos brigando não com a pessoa que está diante de nós, mas com fantasmas muito mais antigos.



