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Pipoca na manteiga #41 — O machismo encontrou seus influenciadores: a epidemia da machosfera

O sexismo deixou de ter vergonha de si mesmo: o perigo desses discursos não está apenas no que dizem. Está na licença que oferecem para que outras pessoas passem a dizer o mesmo sem constrangimento.

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jul 04, 2026
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Assisti ao documentário da BBC Os “Messias” da machosfera: o negócio por trás do desprezo pelas mulheres na internet e terminei com uma sensação difícil de descrever. Não foi apenas indignação. Foi nojo. Foi vergonha. Foi uma espécie de tristeza diante da facilidade com que o desprezo pelas mulheres pode ser transformado em produto, identidade e comunidade. O documentário mostra um ecossistema de influenciadores que monetiza inseguranças masculinas, vende fórmulas prontas para “retomar o controle” das relações e transforma ressentimento em pertencimento. Não se trata apenas de vídeos na internet. Trata-se da construção de um espaço em que a misoginia deixa de ser vista como problema e passa a ser apresentada como virtude.

Enquanto assistia, pensei diversas vezes no meu livro O colapso do pensamento: Hannah Arendt, a banalidade do ódio e o Brasil no bolsonarismo. Há uma intuição de Arendt que me parece fundamental para compreender fenômenos como esse. O perigo não está apenas em pessoas explicitamente violentas ou autoritárias. O perigo aparece quando determinadas condições políticas, culturais e sociais tornam aceitável aquilo que antes encontrava resistência moral. Não é que o mal produza seres humanos completamente novos. É que ele modifica o ambiente em que as pessoas passam a agir e falar.

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