Pipoca na manteiga #45 — Ser ético, honrar a palavra e não ter medo dos encerramentos para ser livre
Honrar a própria palavra também significa reconhecer quando um ciclo terminou e não permanecer onde já não existe razão para ficar.
Infelizmente, nesse momento, eu não posso dar nome aos bois e nem as boias. Mas acredite: esse texto terá um sentido muito mais pleno daqui alguns meses. Quem estiver acompanhando saberá dos eventos que se seguirão…
Tenho pensado muito sobre o que significa ser ético e honrar a própria palavra. Durante muito tempo, associei essas coisas à permanência: cumprir aquilo que prometi, sustentar responsabilidades, estar presente, não abandonar pessoas ou projetos no meio do caminho e continuar mesmo quando permanecer se tornava difícil. Ainda acredito profundamente no valor disso. A palavra dada precisa significar alguma coisa, principalmente num tempo em que compromissos parecem poder ser desfeitos diante do primeiro desconforto; isso eu aprendi com meu avô materna que foi de fato o pai que eu tive.
Chega um momento em que aquilo que precisava ser feito foi feito, aquilo que precisava ser sustentado foi sustentado e aquilo que prometemos entregar foi entregue. Permanecer depois disso não torna ninguém mais ético. Em determinadas situações, honrar a própria palavra também significa reconhecer que um ciclo terminou e não permanecer onde já não existe razão para ficar.
Essa reflexão tem atravessado também minha maneira de pensar o trabalho e aquilo que significa assumir uma posição profissional verdadeiramente ética. Porque ser ético não pode significar apenas fazer aquilo que considero correto e permanecer confortável com a imagem que construí de mim mesmo. A ética exige justamente o contrário: escutar aquilo que não é agradável, admitir que uma intervenção poderia ter sido diferente, perceber um erro técnico, reconhecer uma fragilidade teórica, estudar novamente, rever uma posição e suportar o desconforto de descobrir que poderíamos ter feito melhor. Isso toca inevitavelmente nosso narcisismo, principalmente quando levamos o próprio trabalho a sério. Mas não consigo imaginar uma prática responsável sem essa possibilidade permanente de revisão. Reconhecer um erro não apaga todo o percurso que veio antes, assim como receber uma crítica não transforma automaticamente uma trajetória profissional em fracasso.




