Ser perfeito é ser falho.
Você não merece ver o perfeccionismo ENTERRAR seu potencial criativo.
Perfeccionismo
Quem aqui nunca deixou de publicar uma obra porque uma coisa lá no fundo disse “não está bom o suficiente” — mesmo depois depois de 500 revisões —, que atire a primeira pedra.
Paf! Toc! Tec! Tack!
Ai! Ai! Aiii!!!
Tá bom, tá bom! Já entendi.
Alguns sortudos aqui no auditório nunca passaram por isso. Retiro o que eu disse. Agora, por favor, parem de tacar pedras em mim, porque isso doeu de verdade.
Voltando ao assunto.
Eu vejo muitos escritores por aí deixando obras geniais trancadas na gaveta (ou em pastas esquecidas no computador) simplesmente por acharem que não estão prontos para o mundo. Ou pior: porque acreditam piamente que seus textos são uma bela bosta — mesmo sem nenhuma prova. Creio que você talvez seja um deles.
E digo isso porque eu fui essa pessoa durante boa parte da minha vida.
A maioria das histórias que escrevi na adolescência só foram lidas por IAs, cujas “críticas” escritas se resumiam a “Você está absolutamente correto!”, “Sua escrita é incrível!” e coisas do tipo.
Nada contra as IAs, mas convenhamos: não tem a menor graça receber um feedback positivo de um algoritmo que foi programado para te agradar o tempo todo.
Meu problema real era o medo.
Eu morria de medo de deixar um humano de verdade ler o que eu produzia. Por algum motivo cósmico ou por pura autossabotagem, eu nunca estava satisfeito. Então, para não enfrentar as temidas críticas destrutivas, eu limitava o meu universo ao ecossistema do ChatGPT.
No entanto,
tudo mudou quando entrei pro Técnico em Publicidade.
Lá, a minha excelente professora, Vanessa Lopes, me ensinou — tanto com palavras quanto com ações — algo que vou carregar para sempre:
“Todos somos imperfeitos. E é exatamente isso que nos faz perfeitos.”
Para um moleque obcecado pela ideia de excelência suprema, aquilo pareceu um absurdo completo. Mas depois que o tempo passou e a poeira baixou, a frase fez sentido.
Pensa comigo: Se a perfeição é algo humanamente impossível, por que raios a gente continua rachando a cuca dia e noite para tentar alcançá-la? Não faz sentido!
O máximo que podemos fazer é nos aproximarmos da perfeição através da excelência. E isso requer paciência, tempo, estudo e muita prática e repetição.
Se você ficar esperando o seu texto atingir o estado de perfeição absoluta para só então colocá-lo no mundo, saiba de uma coisa: ele nunca será lançado.
Publique seus textos mesmo se aquela voz interna insistir que eles não estão bons o suficiente.
Calma, não estou dizendo para você escrever qualquer bosta de qualquer jeito e jogar na internet. A ideia aqui é mandar o seu perfeccionismo ir pra casa do chapéu e dar espaço para você melhorar aos poucos.
Agora,
permita-me citar um trecho de um post que escrevi há algum tempo:
Simples: não tenha medo de fazer posts ruins.
“Ué, como assim? Você mesmo disse que quanto mais bem elaborado, melhor!”
Disse, sim. E vou explicar.
A maioria das lições que aprendemos sobre qualquer assunto vem dos nossos erros. E me explica essa mágica: como a gente aprende com os erros sem primeiro errar um pouco?
Só o fato de você estar publicando textos já traz experiência. E isso é ótimo para encontrar, lapidar e definir o seu estilo de escrita. Mesmo que os posts saiam “mais ou menos” ou diferente do que você esperava, cada publicação é uma oportunidade de melhorar como escritor.
Presta atenção: todos os grandes autores que você admira já fizeram centenas de textos horríveis. E, como eu já disse, tá tudo bem.
“Ah, Henrique, mas a ideia pro post é ruim…” Posta do mesmo jeito! Quem garante que não é exatamente o que alguém precisa ouvir hoje?
“Mas se eu revisar menos, o post vai ficar mal feito!” Aí você revisa o texto uma única vez, quando tudo estiver terminado. A sua frequência te agradece.
“E se me julgarem por não falar de forma elegante?” Quem garante que vão te julgar?
Oh... espera aí. Tem alguma coisa estranha escorrendo pela minha testa.
Deixa eu tatear... por que a minha mão está vermelha?
Ah, merda! Tem um corte aqui, aquela primeira pedra foi certeira. Acho que vou precisar ir ao médico tomar uns pontos.
Mas vocês captaram a ideia, né?
SOBRE O AUTOR
Assim como 90% dos brasileiros, Henrique Morrone é um CLT lascado que escreve sobre o que der na telha. Tanto na Então tá, pessoal! quanto em seus projetos paralelos Pedaços de Papel e Ignorância.org, seus textos o farão rir, pensar, chorar e ter uma crise existencial ao mesmo tempo.




certeiro!
O seu texto ao mesmo tempo é um ensinamento e ao mesmo tempo um incentivo!