Só sei que foi assim #34 - Corpos que ainda precisam de permissão para existir
Quando existir, escolher e dizer “não” ainda são atos de risco.
Por: Caroline Gonçalves Pinheiro
Nos últimos dias, ao olhar as notícias, uma pergunta insiste em permanecer:
que lugar a mulher ocupa na sociedade?
Somos atravessadas por relatos de feminicídio, abuso, pedofilia. Violências que não apenas chocam, mas revelam algo estrutural, repetitivo, quase naturalizado. Não são casos isolados. São sintomas.
Há uma crueldade que se repete, que se refina, que se atualiza com o tempo, mas que carrega a mesma raiz de outrora:
a mulher ainda é vista, muitas vezes, como objeto.
Mudam-se os cenários, mas não a lógica.
Já não somos queimadas em praça pública, somos assassinadas dentro de casa, nas ruas, nos vínculos que deveriam ser de cuidado.
E os números não deixam esquecer: são mães, irmãs, tias, sobrinhas, filhas.
A violência contra a mulher não é um desvio.
Ela revela uma estrutura que ainda insiste em existir.
Vivemos um tempo de avanços, ocupamos espaços, produzimos conhecimento, conquistamos direitos, falamos.
Mas, ao mesmo tempo, há algo que não acompanhou esse movimento:
o modo como muitos homens foram ensinados a existir no mundo.
E então surge a pergunta que inquieta:
que tipo de homens estamos criando?
Homens que confundem amor com posse.
Que interpretam autonomia como ameaça.
Que não suportam a frustração de um “não”.
Que foram ensinados, direta ou indiretamente, que têm direito sobre o corpo, o tempo e a vida de uma mulher.
Há uma falha na forma como lidamos com o limite, com o desejo, com a alteridade.
Porque dizer “não” deveria ser um ato simples, mas, para muitas mulheres, ainda é um ato de risco.
E isso diz muito sobre a sociedade que construímos.
A mulher hoje ocupa um lugar em disputa:
entre ser sujeito da própria história
e ainda ser tratada como algo que pertence ao outro.
Estamos falando mais, denunciando mais, nos colocando mais.
E isso não é pequeno. Isso desloca estruturas. Isso incomoda.
Mas também expõe, com ainda mais clareza, aquilo que nunca deixou de existir.
Talvez o ponto mais urgente não seja apenas proteger mulheres,
mas repensar profundamente a forma como estamos formando homens.
Porque enquanto o “não” de uma mulher continuar sendo vivido como uma ferida narcísica insuportável para alguns,
continuaremos assistindo a essa violência se repetir.
E então a pergunta permanece não como retórica, mas como urgência:
que sociedade estamos sustentando quando uma mulher ainda não pode simplesmente dizer “não” sem medo de morrer?
Não mexe na minha estante!
Iniciamos a campanha de pré-lançamento no catarse! O livro O colapso do pensamento, escrito pelo autor Cristian Abreu de Quevedo, está quase pronto para ser publicado e estamos contando com vocês para nos apoiar.
Quem avisa…?
Vem conferir as nossas outras publicações semanais:
📌Mais informações e conteúdos da Casa IS:
🔗 Site: www.imperiossagrados.com.br
📚 Catálogo de livros: estanteis.mycartpanda.com
✉️ Envio de manuscritos originais: imperiossagrados@gmail.com
📸 Instagram: @imperios_sagrados e @iseditora
💬 Grupo da IS Editora no WhatsApp:
https://chat.whatsapp.com/IocrXOhSvuR38XF0b7ajnC🎙️ Nosso podcast semanal: Podcast IS





Cada dia sabemos de mais casos hediondos...