Fiquei impactado ao assistir a um documentário sobre o destino das roupas que descartamos. Aquilo que chamamos de doação é apenas uma forma elegante de não enxergar o nosso próprio lixo.
Essa lógica me lembrou demais o mangá Gachiakuta. Na história, a sociedade prefere simplesmente "jogar fora" o que não quer mais em vez de encarar as consequências do próprio consumo. É aquele clássico: varrer o lixo para debaixo do tapete e fingir que ele sumiu. O problema é que isso não vale só para objetos, mas para pessoas consideradas "sem valor". Elas são descartadas e a sociedade vive na ilusão de que resolveu a questão. Só que o mangá escancara que tudo o que a gente joga fora continua existindo e pesando sobre alguém.
O mais forte em Gachiakuta é como ele questiona a própria ideia de valor: quem afinal decide o que merece existir, o que dá pra reaproveitar e quem vira resto? Isso bate direto com o que você escreveu. Virou um hábito de época: roupas, coisas, empregos, relacionamentos e até pessoas parecem descartáveis. O descarte deixou de ser só consumo e virou nossa forma de ver o mundo.
Citei o mangá porque a conexão foi imediata, mas tem muita obra por aí falando disso. A gente tá vivendo uma era onde tudo dura pouco, tudo tem prazo de validade e o foco virou pura aparência.
Como diria o João Carvalho:
"O capitalismo falhou, falha e falhará em cada uma das sociedades aonde ele colocar os seus tentáculos..."
Minha sugestão de leitura pra ti é uma obra de um pesquisador que me baseio muito para meus artigos e também autor central da minha tese de TCC. Irei deixar o nome do livro e a sinopse dele!
João Paulo Baliscei
Não se nasce azul ou rosa, torna-se.
Se algo é pra menino, o azul é usado; se é pra menina, o rosa. E se ele usa azul e ela, rosa, sem questionar esse uso, é interpretado em um equívoco – porém que soa como um alívio – que ambos serão heterossexuais. Semelhantemente ocorre com sujeitos adultos: azul para homem, rosa para mulher. Assim, essas cores, diferentes das demais, desempenham espécies de feitiços masculinizante e feminilizante e operam para a manutenção do heteroterrorismo. Em Não se nasce azul ou rosa, torna-se: Cultura Visual, gênero e infâncias demonstro que a associações entre azul e masculinidade e rosa e feminilidade não são espontâneas e que, inclusive, são relativamente contemporâneas – tendo sido potencializadas, sobretudo, a partir do século XX. É, portanto, uma discussão que interessa pesquisadores/as, professores/as, estudantes, artistas, pais e mães e demais sujeitos que se incomodam com os modos pelos quais os gêneros e as infâncias de meninos e meninas têm sido visualmente controlados.
Em um planeta quase esférico, argumento não válido aos terraplanistas, não existe canto ou pra baixo do tapete. É necessário uma conscientização sobre o consumo excessivo e o lixo que ele gera. O filme WALL-E da Pixar é um soco no estômago que escancara uma sociedade robotizada enquanto a empatia é desenvolvida entre os robôs.
No momento estou lendo "Eu sou a Lenda", do Richard Matheson! É impressionante como esse clássico do horror e da ficção científica dialoga com esse incômodo que você trouxe sobre isolamento, consumo e a forma como tentamos ressignificar o que nos cerca quando tudo parece ruir.
Essa sua reflexão sobre o destino das roupas e o "colonialismo do lixo" em Gana foi um soco no estômago. A constatação de que muitas vezes a nossa "boa ação" de doar é só um jeito elegante de terceirizar o descarte e lavar as mãos sobre o nosso próprio hiperconsumo é urgente. A gente coloca na sacola para tirar da vista e aliviar a culpa, mas o impacto continua existindo em algum lugar do planeta. Texto necessário e provocativo demais!
Essa lógica me lembrou demais o mangá Gachiakuta. Na história, a sociedade prefere simplesmente "jogar fora" o que não quer mais em vez de encarar as consequências do próprio consumo. É aquele clássico: varrer o lixo para debaixo do tapete e fingir que ele sumiu. O problema é que isso não vale só para objetos, mas para pessoas consideradas "sem valor". Elas são descartadas e a sociedade vive na ilusão de que resolveu a questão. Só que o mangá escancara que tudo o que a gente joga fora continua existindo e pesando sobre alguém.
O mais forte em Gachiakuta é como ele questiona a própria ideia de valor: quem afinal decide o que merece existir, o que dá pra reaproveitar e quem vira resto? Isso bate direto com o que você escreveu. Virou um hábito de época: roupas, coisas, empregos, relacionamentos e até pessoas parecem descartáveis. O descarte deixou de ser só consumo e virou nossa forma de ver o mundo.
Citei o mangá porque a conexão foi imediata, mas tem muita obra por aí falando disso. A gente tá vivendo uma era onde tudo dura pouco, tudo tem prazo de validade e o foco virou pura aparência.
Como diria o João Carvalho:
"O capitalismo falhou, falha e falhará em cada uma das sociedades aonde ele colocar os seus tentáculos..."
Minha sugestão de leitura pra ti é uma obra de um pesquisador que me baseio muito para meus artigos e também autor central da minha tese de TCC. Irei deixar o nome do livro e a sinopse dele!
João Paulo Baliscei
Não se nasce azul ou rosa, torna-se.
Se algo é pra menino, o azul é usado; se é pra menina, o rosa. E se ele usa azul e ela, rosa, sem questionar esse uso, é interpretado em um equívoco – porém que soa como um alívio – que ambos serão heterossexuais. Semelhantemente ocorre com sujeitos adultos: azul para homem, rosa para mulher. Assim, essas cores, diferentes das demais, desempenham espécies de feitiços masculinizante e feminilizante e operam para a manutenção do heteroterrorismo. Em Não se nasce azul ou rosa, torna-se: Cultura Visual, gênero e infâncias demonstro que a associações entre azul e masculinidade e rosa e feminilidade não são espontâneas e que, inclusive, são relativamente contemporâneas – tendo sido potencializadas, sobretudo, a partir do século XX. É, portanto, uma discussão que interessa pesquisadores/as, professores/as, estudantes, artistas, pais e mães e demais sujeitos que se incomodam com os modos pelos quais os gêneros e as infâncias de meninos e meninas têm sido visualmente controlados.
Em um planeta quase esférico, argumento não válido aos terraplanistas, não existe canto ou pra baixo do tapete. É necessário uma conscientização sobre o consumo excessivo e o lixo que ele gera. O filme WALL-E da Pixar é um soco no estômago que escancara uma sociedade robotizada enquanto a empatia é desenvolvida entre os robôs.
Oiê!! Vou assistir o filme WALL-E da Pixar! Obrigada pela indicação!! " terraplanistas" kkkk socorrooooo
No momento estou lendo "Eu sou a Lenda", do Richard Matheson! É impressionante como esse clássico do horror e da ficção científica dialoga com esse incômodo que você trouxe sobre isolamento, consumo e a forma como tentamos ressignificar o que nos cerca quando tudo parece ruir.
Essa sua reflexão sobre o destino das roupas e o "colonialismo do lixo" em Gana foi um soco no estômago. A constatação de que muitas vezes a nossa "boa ação" de doar é só um jeito elegante de terceirizar o descarte e lavar as mãos sobre o nosso próprio hiperconsumo é urgente. A gente coloca na sacola para tirar da vista e aliviar a culpa, mas o impacto continua existindo em algum lugar do planeta. Texto necessário e provocativo demais!