Só sei que foi assim #47 — Quem nos ensinou a votar?
Algumas inquietações sobre política, representação e responsabilidade coletiva.
O Alienista
por Welyson Pereira de Almeida
Estamos em época de eleição e, fora o trabalho e aquilo que discuto semanalmente nas sessões de terapia, o que mais tem ocupado a minha mente é o rumo que essas eleições estão tomando.
Não vou negar que, no último mês, pensei mais sobre a Copa do Mundo. Acompanhar o torneio é algo que faz parte da minha vida desde a infância e, por algumas semanas, ele me ofereceu algum respiro diante do cenário geopolítico. Até a guerra entre os Estados Unidos e o Irã pareceu desacelerar durante o evento. Curioso, não?
Foram, porém, algumas conversas entre familiares que me fizeram questionar em como aprendemos sobre política, sobre a importância do voto e, principalmente, sobre as leis que deveriam preservar a democracia, os nossos direitos, a nossa vontade e a nossa dignidade.
Isso, é claro, vai muito além de discutir intenções de voto nas eleições deste ano, embora as circunstâncias em que vivemos tornem cada vez mais difícil evitar esse assunto.
Talvez o problema não seja apenas em quem votamos, mas o que imaginamos estar fazendo quando votamos.
Onde aprendemos o que é importante para decidir em quem votar? Na escola? Em casa? Nos jornais? Nas redes sociais? Com as pessoas que admiramos? Será que realmente compreendemos o papel dos representantes políticos? Entendemos os limites de suas responsabilidades e os poderes de cada esfera política?
E, quando falamos sobre as leis, conseguimos enxergá-las como parte de um pacto coletivo — algo que também deve proteger aqueles de quem discordamos — ou apenas como instrumentos que deveriam servir às nossas próprias vontades?
Sei que muitas dessas inquietações ultrapassam uma análise puramente racional da política. Existe uma distância enorme entre aquilo que considero lógico, ético ou moral e o que vejo nos noticiários ou escuto nas conversas cotidianas. Essa distância me preocupa porque revela não apenas diferenças de opinião, mas formas profundamente distintas de compreender a democracia, a dignidade e a própria vida em sociedade.
A política nacional e internacional parece cada vez mais organizada em direção a um caminho muito obscuro: da fabricação de inimigos, da criação de narrativas cada vez mais absurdas para ações mais absurdas ainda e, por fim, para o fascismo e risco verdadeiro para a democracia. O pior de tudo é que não é mais um exagero, afinal, nessa semana mesmo, o presidente da Nicarágua declarou o fim das eleições democráticas.
Mas, enquanto isso, uma boa parcela da população acredita nas falas de candidatos que se vendem para outros países, ex-juízes mercenários, candidatos que apoiam o trabalho infantil e que afirmam que o lugar da mulher é em casa e não estudando. Será mesmo que esses são os candidatos que gostaríamos que nos representassem? O que fizemos ou deixamos de fazer para chegar nesse cenário?
Não mexe na minha estante!
Essa semana eu não li absolutamente nada. Tá osso. O que você me recomenda? O que você tá lendo?
Quem avisa…?
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