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É de uma vulnerabilidade imensa acompanhar a Caroline Gonçalves Pinheiro expor essa arquitetura da vergonha. A forma como ela mostra que o preconceito nem sempre chega como um ataque explícito, mas disfarçado de "brincadeira", afeto em família e rotina, escancara como a gente aprende cedo demais a desconfiar do próprio corpo e a tentar adequar o inadaptável a um padrão que nunca foi nosso. O ponto em que ela recusa a palavra "aceitação" para abraçar "reconhecimento" é de uma lucidez política e existencial incrível. Não se trata de aceitar um defeito que nos convenceram que tínhamos, mas de perceber que o erro nunca esteve no cabelo, na pele ou na ancestralidade, e sim no olhar violento de quem tentou controlar tudo isso. A amarração com a indicação da Djamila Ribeiro fecha o texto perfeitamente, ligando a vivência íntima à necessidade do estudo e da ação coletiva.

Um relato de uma coragem bonita, com recortes densos sobre colorismo e apagamento cultural, e um ponto de vista libertador sobre o tempo que se leva para desaprender a vergonha. Uma leitura impecável e necessária!

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