Varalzinho de quinta #18
começar outra vez
O varalzinho de quinta continuará sendo nossa publicação semanal de quinta-feira. Eu que gosto tanto desse dia que é a travessia entre a quarta, o vácuo da semana, e a sexta que é o dia do apocalipse, onde todos os anjos e demônios se espantam com a nossa capacidade de auto destruição.
Não lembro se já havia comentado sobre o motivo de escolher esse dia da semana para publicação dos novos poemas, mas listo aqui alguns deles: é um dia antes do apocalipse, é o dia em que costumo fazer feira, é o dia em que sento para escrever assim que acordo pela manhã, é o dia em que coloco as roupas para secar no varal e tudo isso tem a ver com poesia para mim.
Escrevi esse poema semana passada durante o turno da madrugada no trabalho, quando não havia mais ninguém para conversar, ouvia apenas o barulho baixinho dos ar-condicionados tentando esfriar ainda mais o espaço da recepção. Não bastasse a chuva severa que caiu durante a maior parte da noite e o vento frio balançando as palmeiras.
só solidão
descanso os olhos no leito onde deito
absurdo pensar os lugares por onde passei e vou passar
e lembrar cada instante feito filme mudo querendo falar
tanto quanto o silêncio entre dois amantes que nunca se tocaram
ou a paixão sufoca a quietude até não restar saudade
para abraçar quando dói ao descansar sozinho
solidão se mata a pedradas
pedro pegou um monte
sentou na varanda
jogou
jogou
jogou
matou?
Escrevi esse outro poema algumas horas mais tarde, quando o sol já espreitava os prédios ao norte e a luz jazia sobre os degraus defronte ao hotel. Onde os pombos aguardavam ansiosos os primeiros restos orgânicos a serem descartados pelos transeuntes da manhã. Subitamente, ouço um rugido. Espantado e curioso, tentei encontrar uma explicação para aquela sonora advertência ainda tão cedo, mas por detrás de um carro pôs-se a me observar uma leoa na alvorada. Silêncio.
Serra
existe um microespaço entre as tuas pálpebras
onde dorme uma leoa
imaginando se há
zebras na costa da África
Sintam-se bem à vontade para passear pelo nosso varal da IS editora, venham comentar os poemas, levá-los para casa se quiserem, críticas também devem passar por aqui (só não faltar com respeito), e participar com seus poemas também, aceitamos a contribuição para publicar conosco. Lembrando que esse é um espaço sem a pretensão de selecionar os melhores poemas para serem publicados, podem sair poemas incríveis daqui e com toda certeza sairão poemas medíocres, mas isso faz parte da dinâmica de expor suas poesias.
Tenho para mim que muitas vezes sabotei minha própria escrita, tornando tudo que escrevia numa competição, algo que nunca daria certo porque sempre perderia para o meu maior oponente (eu mesmo).
Hoje tenho abdicado um pouco dessa ideia de sempre precisar buscar uma perfeição nos poemas que tenho escrito, e evito fugir da escrita por medo de escrever um poema ruim. Quem sou eu para achar que vou sempre escrever coisas incríveis e que não tenho direito de errar, anos atrás critiquei muitos pela mesma presunção. A hipocrisia fala mais alto.
Quer ter o seu poema publicado aqui em nosso Varalzinho? Manda uma mensagem para nossa equipe!
Publicamos alguns poemas em nosso Instagram também, acompanha nosso trabalho por lá também.
📌 Mais informações e conteúdos da Casa IS:
🔗 Site: www.imperiossagrados.com.br
📚 Catálogo de livros: estanteis.mycartpanda.com
✉️ Envio de manuscritos originais: imperiossagrados@gmail.com
📸 Instagram: @imperios_sagrados e @iseditora
💬 Grupo da IS Editora no WhatsApp:
https://chat.whatsapp.com/IocrXOhSvuR38XF0b7ajnC
🎙️ Nosso podcast semanal: Podcast IS




Que boniteza!!!