Varalzinho de quinta #20
Clarice, irmão mais novo e escrever para interpretar
O varalzinho de hoje é inspirado por algumas crônicas de Clarice, também alguns conselhos maternos, outros papos com meu irmão mais novo, andanças noturnas com meus amigos, terapias de exposição com o passado. Inspirado por uma porção de coisas que se misturam em uma sopa mental de palavras que preciso digerir sem sentir que a ansiedade está me consumindo. Tentando não ficar desesperado com a ascensão da extrema direita em vários lugares no mundo, escolho evitar discussões políticas em ambientes que possam deixar minha vida em risco, escondendo que dentro de mim existe outro.
Escrevo porque escrever é minha forma de ser.
registro nº 14.647
datas importantes
são os dias decorados
alegria azul-celeste
sorrisos tropicais alados
Ao longo do caminho se revela o trabalho
fases experimentais
toca-se o corpo a esmero
calor cristalino salgado
anotações mentais
não deixar se esquecido
esquecer do sentido
retomar a libido
em último grito
atravesso as memórias
mastigando o almoço
apressado
[e
atrasado
em colisão
premonição
sessões de autopiedade
mitigadas por estrelas
…tem sido uma longa jornada
dose intragável
estranha manhã camelos em deserto
navegando pesadelos indomesticáveis
suco gástrico, discalculia
diazepam 10mg, tramal 50mg
tardes inteiras navegando areias
são carências intermináveis
posto um corpo invadido
previamente domesticado
homens exercem o poder
juízes morais por capricho
são pequenas mortes
desagradáveis
são pequenas crianças
comerciáveis
mero detalhe
numérico
verdadeira benção
é nunca ter nascido
filho ungido pela vil
falsa segurança da tradição
magistrado coliformes
não representam a nação
amortização
descobri ser na dimensão de agressão
sou pois me apontam que sou
um menino
é isso que sou;
não possuo nome
nasci vil
na boca
seca
do rio
um homem
é isso que sou;
não tenho dono
mas acorrentado
só as manhãs
conhecem
a tez
do teu olhar
quem sabe o frio
violento, vazio
dê sentido
aos meus ossos
não tenho casa
vago as ruas
desembocando
nas grotas urbanas
lambendo o osso
entre as pernas
danadas e vadias
ninfas
são pernas
que não podem ser
minhas pernas que não podem ser
minhas
ir e vir
que não são meus
as canelas cinzas
e o dia amarelo
ardendo o osso
preso no couro
cobrindo o rosto
com as mãos
corpo suado
junta multidão
estatelado no chão
conheceu a morte
antes da justiça
A edição dessa semana vem com uma novidade legal para o mês de março. Estou organizando um encontro poético presencial para leitura e escrita coletiva. A proposta é totalmente gratuita para quem busca um espaço para conhecer mais sobre poesia, discutir escrita e incentivar novos escritores. O objetivo principal é ter um espaço coletivo para reunir pessoas curiosas que buscam conhecer novos autores, partilhar seus escritos e criar uma rede de incentivo.
A primeira reunião será divulgado em nosso Instagram, levaremos alguns convidados especiais. Por enquanto ocorrerá em Maceió, na Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos, um espaço gratuito que se encaixa perfeitamente com a proposta do nosso projeto. Estão todes convidados a participar!
📌 Mais informações e conteúdos da Casa IS:
🔗 Site: www.imperiossagrados.com.br
📚 Catálogo de livros: estanteis.mycartpanda.com
✉️ Envio de manuscritos originais: imperiossagrados@gmail.com
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