Varalzinho de quinta #26
Uma série de anotações e abobrinhas poéticas. Feliz dia do Livro!
Guardo comigo uma série de anotações que vou fazendo ao longo dos dias, um trabalho catalográfico amador, não corroboro sempre com a lembrança escrita nos textos, mas é comum me deparar com descrições precisas de acontecimentos de uma época na minha vida. Confesso ter uma leve obsessão por registros de pessoas, lugares e acontecimentos históricos. Quando visito museus fico pensando em todo o contexto para existência daquela obra específica, em quais circunstâncias o autor a concluiu e o que levou ele a fazer isso. Mesmo que a resposta seja inconclusiva, tenho esse desejo de saber.
Os livros tem um peso especial para mim, nesse contexto penso que há uma beleza inexplicável em perceber que uma pessoa escolheu escrever um texto para contar sobre um sentimento, vivência, seus pensamentos e opiniões. Seja em um livro autobiográfico, poesia, ficção, todo livro vai carregar características muito distintas de uma pessoa. Tudo isso revela alguma coisa sobre a mesma humanidade que habita em nós, por mais assustadora que ela possa ser às vezes.
O chamado do monstro foi um dos primeiros livros que mudou a química do meu cérebro quando terminei pela primeira vez, ainda na adolescência, foi uma primeira paixão literária que nunca esqueci. Infelizmente emprestei esse livro e nunca mais o vi, mas lembro de ter lido e relido várias vezes. Trago então alguns dos tais fragmentos que escrevi como um relato da vida.
Eu, produto do tempo
e dos solavancos
da vida
Eu, preso no tempo
e nas alamedas
da memória
Eu, liberto do tempo
e caminhando em busca
da poesia
Passar por um mesmo lugar duas vezes nunca garante a mesma paisagem, embora tudo pareça o mesmo, talvez você tenha mudado de lugar.
I.
repetir a repetição
nem sempre
é a mesma coisa
II.
mesmo o céu
sob a perspectiva
do míope
é azul
ao cego
contemplam
os pássaros
III.
A natureza morta
escamas, penas
também morremos nós
efeito borboleta
IV.
O fascínio escondido
em paixão frívola
derroca o sabor do mistério
curioso prazer do tédio
convulsão do amor
V.
Não há lucidez que sustente a odiosa sensação do sofrimento.
Um super poder que gostaria de ter: coragem para superar meu medo incontrolável das outras pessoas. Ansiedade é algo assustador, e talvez você nem imagine o quanto que uma coisa que mora na sua cabeça pode fazer tão mal, mas ela pode surgir de tantas formas diferentes que ficaria surpreso com a quantidade de formas que você pode se autossabotar até sua vida se tornar uma espiral de pânico. Eu poderia pedir por invisibilidade, mas seria fácil demais.
Semana que vem estarei de volta com mais textos poéticos e atualizações sobre os projetos da IS Editora, passei um tempo ocupado com mudanças na minha vida, outras fortes emoções que atrapalharam as edições dos texto e outras partes significativas do meu trabalho por aqui. Só que eu sou duro na queda, já provei desse sentimento e eu gosto mesmo de trabalhar com vocês.
Comenta aqui embaixo suas percepções sobre a edição dessa semana, se tem algo que você se identifica ou se achou legal alguma reflexão, abraços!
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