Depois da Sessão #2 — Quando uma história muda, ela continua viva
Entre a surpresa com God of War: Laufey, o cansaço com certos lançamentos do cinema e as memórias de Jonathan Drissis em Impérios Sagrados, esta edição fala sobre personagens, mudanças e legados.
Olá, pessoal! Estamos começando uma nova newsletter na IS. Para explicar melhor, ela irá funcionar da seguinte forma: a cada 15 dias vamos publicar uma nova edição do Depois da Sessão”, uma newsletter que fala sobre assuntos mais nerds, como RPG, séries, filmes, mangás, mas sob a nossa perspectiva, com as nossas opiniões e visões, de forma ácida e direta. E contará com dois segmentos: o Checkpoint Geek, em que vamos falar as nossas opiniões e sobre assuntos do momento na esfera geek e o Quem Estava Lá, um segmento em que gostaríamos de partilhar melhor o universo de RPG Impérios Sagrados por meio de relatos e depoimentos de antigos jogadores e jogadoras.
Checkpoint Geek
Junho chegou chutando portas com anúncios, trailers e lançamentos muito aguardados e outros nem tanto assim. Gostaria muito de falar sobre Os Mestres do Universo, mas nada nesse filme me fez acreditar que valeria a pena ir ao cinema. Mas, enquanto ele não sai para as plataformas de streaming, sigo apenas lendo e assistindo às críticas dessa bomba. Para o cinema esse ano, me reservo a Street Fighter, Duna Parte 3 e Coyote vs. Acme. Os demais lançamentos não conseguiram me convencer, nem Vingadores ou Odisseia.
Já no mundo dos games, essa semana fui surpreendido: God of War: Laufey. Uma inesperada mudança de curso para essa franquia. Afinal, todos esperávamos uma continuação com Atreus, o filho de Kratos, mas o Santa Monica Studio me surpreendeu com o que eles apresentaram e com as possibilidades de expansão dessa franquia, que parecia com um futuro muito limitado pela frente, sem contar o gameplay fantástico apresentado. Parece que finalmente terei um motivo para adquirir um PS5. E o pior de tudo é a enxurrada de discursos machistas por conta de um God of War protagonizado por uma personagem feminina…
O curioso é que a reação a God of War: Laufey diz muito menos sobre o jogo em si e muito mais sobre a dificuldade que parte do público ainda tem de aceitar que franquias não são peças de museu. Se uma história continua existindo, ela precisa se mover. Precisa experimentar novos pontos de vista. Precisa correr o risco de desagradar quem queria apenas a mesma coisa, com outra embalagem.
E talvez seja justamente por isso que a escolha de Laufey me parece tão interessante. Não porque todo jogo precise trocar de protagonista, mas porque God of War sempre foi, no fundo, uma série sobre herança, violência, paternidade, culpa e destino. Colocar Laufey no centro não diminui Kratos ou Atreus; ao contrário, pode ampliar o próprio mito que a franquia construiu.
No fim, a pergunta que fica é simples: queremos histórias vivas ou apenas relíquias bem polidas do que já gostamos um dia?
Quem Estava Lá Conta
O que começou como uma simples mesa de RPG entre amigos e amigas acabou se transformando em algo muito maior: uma narrativa viva, contínua e atravessada pelo tempo. Há mais de 29 anos, o Universo Impérios Sagrados (ou simplesmente: IS) acompanha não apenas personagens, reinos, guerras e deuses, mas também a vida de quem passou por essa mesa enquanto jogadora, jogador e narrador (mestre? artífice?). Sim, a história da IS segue sendo construída de forma ininterrupta há quase três décadas…
Tudo começou… A visão do Mestre do Jogo: Cristian
… com quatro amigos jogando RPG aos domingos e todos na faixa etária dos 13 anos de idade: Cristian, Vinícius, Lucas e William. Batalhas épicas, lendárias e com aquele gostinho de quero mais. Nós fizemos um sistema de jogo que misturava D&D, Mundo das Trevas e GURPS e que batizamos de: Impérios Sagrados. mesmo após a dissolução da primeira mesa de jogo de RPG outra mesa de jogo foi formada com novas e novos jogadores… e assim consecutivamente chegamos em 2026 agora com o streaming da mesa da IS no Youtube…
Jonathan Drissis também conhecido como Iazack D’Hanz:
Meu início em IS começou com D&D 3.5. Eu estava cansado de mestrar e resolvi jogar em Faerûn. Então, através do ORKUT (uma ferramenta muito parecida com Facebook/Instagram da época), encontrei um grupo composto por dois jogadores — Carlos e Olivia — e um mestre: Cristian. Dizendo que o sistema de jogo seria do D&D 3.5. Pura mentira.
Jogamos UMA sessão… e, ao final dela, fui basicamente forçado, sob ameaças rsrrs, a criar um Zauriano (aquele que nasce no império de Zaurin no mundo chamando Asdem): Hirio Brandez. O sistema era Impérios Sagrados.
E claro… depois da primeira sessão, acabei me apaixonando pelo personagem.
Hirio foi um personagem que moldou minha vida e várias escolhas que fiz até os dias de hoje. Então, às vezes, fica difícil saber se fui eu quem deu vida ao personagem… ou se foi o personagem que deu vida a mim. Não lembro ao certo quantos anos joguei com Hirio, mas provavelmente uns 10 anos. Logo depois, criei outra personagem, irmã de Hirio: Gennifer Brandez. Porém, devo ter jogado com ela por algo perto de cinco meses apenas. Lembro que, naquela época, tínhamos pouco tempo e poucos jogadores.
Mas uma coisa que sempre marcou minha trajetória nesses anos foi o comprometimento com as mesas. Eu praticamente nunca faltava aos jogos e sempre tentava ser um exemplo do que era jogar com um Zauriano. Uma coisa que me fascinava naquela época era ver personagens lendários, como James (Lucas), Daiha (Carol) e outros Zaurianos da primeira mesa. Na época, aquilo era algo extraordinário. E hoje, olhando para trás, continua sendo lendário.
Mas nem sempre fui apenas Zauriano.
Também criei e joguei com um Elfo Deh’ril, um Acorde Divino. Um personagem talvez mais frio, porém sábio. Talvez porque, na época, ele fosse o último Acorde vivo. Isso também me permitiu moldar a própria classe do personagem e até criar uma “bíblia do Acorde” kkkkk.
E por fim — mas definitivamente não menos importante — veio aquele que, até o presente momento, é meu último personagem… e de quem sinto muita saudade: Iazack D’Hanz.
Outro Zauriano. A história dele começou quando Cristian pediu que eu criasse “um Zauriano diferente”.
(Acho que o Cristian nunca se arrependeu tanto de suas palavras.)
E dessas palavras nasceu Iazack: um personagem dinâmico, impulsivo, esperto e extremamente divertido de jogar. Foram várias cenas icônicas. Algumas engraçadas… outras talvez ainda mais engraçadas. Ele conseguia trazer alegria de forma natural para todos que presenciavam suas cenas.
Por fim, e para concluir…
Devo muito ao RPG como um todo. Mas devo ainda mais por tudo que aprendi e vivi em IS. E tenho certeza absoluta de que sou grato ao Cristian por ter mestrado apenas uma aventura de D&D para mim… porque, definitivamente, ele é muito melhor mestrando IS.
Existe alguma história, personagem ou versão de si mesma que já te mostrou quem você poderia ser? Conta para nós!
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