Só sei que foi assim #35 Reflexões pós-feriado religioso: será que saí de linha?
A contradição entre aquilo que muitos cristãos pregam e aquilo que efetivamente praticam.
Por: Welyson Pereira de Almeida
O Alienista
Vamos falar de religião?
Antes de mais nada, gostaria de fazer um esclarecimento: embora eu seja ateu, fui criado em uma família católica. Durante 14 anos, frequentei a igreja quase semanalmente, fiz catequese, primeira comunhão, crisma e participei de diversas atividades religiosas por conta do envolvimento dos meus pais com a comunidade. Meu avô, inclusive, doou o terreno para a construção de uma igreja na cidade natal da minha mãe, no interior do Paraná.
Digo isso porque tenho algum entendimento da vivência cristã e porque tudo o que escrevo aqui não tem a intenção de atacar a fé de ninguém. Não me cabe desrespeitar a crença alheia. Meu interesse é refletir sobre o que muitas vezes fazem com a fé e com a religião.
Mesmo sendo ateu, não apenas respeito a fé das pessoas como entendo a importância que ela tem para quem a vive de forma sincera. Sempre achei fascinante perceber que povos de origens tão diferentes: ocidentais e orientais, africanos, europeus, asiáticos, povos originários das Américas, chegaram, cada um à sua maneira, à ideia de uma força maior capaz de responder às grandes perguntas da existência: de onde viemos, qual o sentido da vida e para onde vamos depois dela.
Mas o ponto que quero abordar aqui é outro.
Em conversas com amigos próximos e também ao acompanhar o noticiário, fico cada vez mais incomodado com a contradição entre aquilo que muitos cristãos pregam e aquilo que efetivamente praticam. E essa é a minha crítica: não ao cristianismo em si, mas à forma como parte dele vem sendo vivida e defendida publicamente.
O que aprendi ao longo dos anos em que frequentei a igreja é que o centro da mensagem de Cristo está no amor ao próximo, no perdão e no princípio de tratar os outros como gostaríamos de ser tratados.
No entanto, os “cristãos“ modernos são aqueles que mais pregam a intolerância, a violência e a condenar o próximo. Sei que estou sendo muito genérico; conheço inúmeras pessoas que seguem o cristianismo e não são assim, mas, quando lideranças e grupos com grande poder de influência ajudam a espalhar perseguição e intolerância, como posso olhar para isso de outra forma?
Há inúmeros relatos de pessoas que passaram anos presas a discursos manipulativos e cruéis e que, ao tentarem repensar suas convicções sem necessariamente abandonar a fé, acabaram excluídas não apenas de suas comunidades, mas também de suas próprias famílias. Mesmo sem ter fé hoje, tive uma formação cristã muito presente na minha vida e fico triste que muitas vezes é difícil olhar para a religião de uma forma positiva.
Minha crítica, portanto, não é à fé de ninguém, mas à distância entre o que se prega e o que se vive.
Não mexe na minha estante!
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