Só sei que foi assim #43 — Um problema é a escala 6x1. E outro é acreditar que alguém deve trabalhar enquanto descansamos
Hipocrisia é defender o fim da escala 6x1 e, ao mesmo tempo, esperar que editoras, livrarias, supermercados, farmácias, aplicativos e tantas outras pessoas continuem funcionando vinte e quatro horas
O Alienista
por Cristian Abreu de Quevedo
Há uma pergunta que tenho vontade de fazer toda vez que recebo uma mensagem às dez da noite de um sábado, ou num domingo de manhã, esperando uma resposta imediata: quando foi que naturalizamos a ideia de que o tempo das outras pessoas está sempre disponível para nós?
Na IS Editora essa questão aparece com frequência. Trabalhamos com pessoas que admiramos profundamente: autoras, autores, colaboradoras, colaboradores, pesquisadoras, pesquisadores e profissionais que ajudaram a construir a história da editora. Ainda assim, não são raras as situações em que recebemos mensagens durante fins de semana, feriados ou altas horas da noite acompanhadas da expectativa, muitas vezes silenciosa, de que responderemos imediatamente. Como se editar livros, organizar lançamentos, revisar originais e acompanhar projetos significasse estar de plantão vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. E talvez seja justamente aí que a discussão sobre a escala 6x1 deixe de ser apenas uma pauta trabalhista para se transformar numa pergunta sobre o tipo de sociedade que estamos ajudando a construir.
Eu preciso olhar sim para a nossa prática dentro da IS Editora! E precisamos refletir sobre a nossa luta e como ela é aplicada nos lugares em que nos inserimos!
Percebo uma contradição curiosa. Muitas pessoas defendem, e eu também defendo, o fim da escala 6x1. Afinal, ninguém deveria viver apenas para trabalhar. Mas essa defesa precisa vir acompanhada de outra mudança, muito mais difícil: a mudança dos nossos próprios hábitos. Porque não basta defender melhores condições de trabalho enquanto continuamos agindo como se alguém devesse responder nossas mensagens imediatamente, revisar nosso texto no domingo à tarde, resolver um problema editorial durante o jantar ou interromper um momento de descanso porque “é só uma perguntinha”. O problema não está apenas na jornada formal de trabalho. Está também na expectativa social de disponibilidade permanente.
A tecnologia contribuiu muito para isso. O celular aproximou pessoas, acelerou processos e facilitou a comunicação. Mas também apagou fronteiras que antes eram bastante claras. O horário comercial deixou de existir para muita gente. O fato de uma mensagem poder ser enviada a qualquer hora passou a significar, para algumas pessoas, que ela também deveria ser respondida a qualquer hora. Só que uma notificação não cria uma obrigação moral imediata. Ela apenas informa que alguém entrou em contato. A resposta continua pertencendo ao tempo de quem a recebe.
Talvez essa seja uma das mudanças culturais mais difíceis que precisamos enfrentar. Respeitar o descanso das outras pessoas significa aceitar que nem tudo será resolvido no instante em que desejamos. Significa compreender que quem edita livros também tem família, amizades, consultas médicas, filmes para assistir, livros para ler, roupas para lavar, silêncio para cultivar e, principalmente, o direito de simplesmente descansar. Parece óbvio quando falamos de nós mesmos. Mas curiosamente deixa de ser tão óbvio quando esperamos pelo trabalho do outro.
Por isso continuo acreditando que o debate sobre o fim da escala 6x1 é fundamental. Mas ele será incompleto se não vier acompanhado de uma pergunta dirigida a cada um de nós:
Será que estamos realmente preparados para viver numa sociedade em que as pessoas trabalhem menos? Porque isso significa, inevitavelmente, que aprenderemos a esperar mais. E talvez esperar também seja uma forma de respeitar.
Ah, sim: é aquela cutucada com bastante provocação e espero muita gritaria! rsrsrs
Não mexe na minha estante!
“Pathfinder é um RPG (jogo de interpretação de papéis de personagens) em que você e um grupo de amigos se reúnem para contar histórias sobre heróis corajosos e vilões astutos em um mundo cheio de monstros aterrorizantes e tesouros incríveis”, e eu diria que a Mesa de Jogo da IS está se tornando cada vez mais um cenário imerso no Pathfinder. Se foram 28 anos de um sistema de jogo próprio e ano passado passamos para o Pathfinder 2ed remaster. Hoje estou estudando cada vez mais esse sistema de jogo e a adaptação dele. Estou amando!
Quem avisa…?
Bora conferir a história da IS Editora que começou com a Mesa de RPG!
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