O Alienista
por Welyson Pereira de Almeida
Depois de dois meses intensos, caóticos, cansativos, estressantes — dois meses em que, sinceramente, houve momentos em que eu não sabia exatamente o que esperar do futuro deste país —, Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente da República. Foram 64.256.232 votos, 51,79% dos votos válidos, contra 59.826.041 de Flávio Bolsonaro. Mais de quatro milhões de votos de diferença. Então, sim: vencemos.
Vencemos uma eleição que significava impedir que um projeto de extrema-direita profundamente autoritário chegasse novamente à Presidência do Brasil. Vencemos e conquistamos mais quatro anos para disputar este país, defender a democracia e impedir que o extremismo bolsonarista transforme aquilo que já ameaça em projeto de poder.
E eu quero comemorar isso.
Eu fui para a rua. Eu me manifestei. Eu usei minhas redes sociais. Eu discuti política, provavelmente mais do que deveria para a minha própria saúde mental. E uma das coisas que esta eleição mudou em mim foi justamente a forma como eu me enxergo politicamente. E é justamente por isso que a vitória de ontem não pode significar que agora todo mundo pega a bandeira, guarda no armário e volta para casa.
Agora é que começa outra luta.
O PL saiu destas eleições com a maior bancada da Câmara e também do Senado. Lula venceu a Presidência, mas o bolsonarismo e a extrema-direita continuam ocupando uma parcela gigantesca do poder político brasileiro.
É preciso cobrar, ir para a rua quando for necessário, pressionar deputado, senador, prefeito e governador, lembrar a cada pessoa eleita que voto não é cheque em branco e que mandato não significa quatro anos de silêncio da população e, principalmente, precisamos olhar com muita seriedade para aquilo que aconteceu nesta própria eleição.
Então não basta “vigiar”.
por Cristian Abreu de Quevedo
Ao final de tudo isso, só me resta dizer, enquanto editor da Ideias, psicanalista, escritor e filósofo, que a luta continua. A extrema-direita não foi derrotada. A defesa da democracia, da liberdade, da cultura, do pensamento crítico e dos direitos humanos não termina nas urnas. É uma luta cotidiana, e seguimos nela.
Meus primeiros estudos filosóficos foram justamente sobre a questão do fascismo, particularmente em sua vertente nazista. Estudei Hannah Arendt, filósofa judia-alemã que fugiu da perseguição nazista, e suas reflexões sobre o totalitarismo. Também estudei o fascismo italiano, sob Mussolini, e o stalinismo na União Soviética. Esses estudos foram fundamentais para minha compreensão dos acontecimentos históricos e das condições que possibilitaram a constituição desses regimes.
É por isso que acredito que a nossa editora precisa dar uma guinada. Precisamos estar ainda mais comprometidos com a transformação social e com o papel que a literatura pode desempenhar nesse processo. Como desenvolve Hans Robert Jauss, em sua sétima tese da Estética da recepção, a literatura não se limita a reproduzir a sociedade existente, pois também pode contribuir para transformar os horizontes de expectativa e a experiência de quem lê. É nessa possibilidade de transformação que acredito e é com ela que desejo comprometer ainda mais o trabalho da nossa editora.
E termino retornando a Hannah Arendt, em Origens do totalitarismo, e à sua reflexão sobre a cristalização dos elementos totalitários. Esses elementos não pertencem exclusivamente ao passado, e sua presença na história exige que estejamos atentos às condições que podem permitir novas cristalizações. A derrota eleitoral de uma força política não significa, necessariamente, o desaparecimento das condições históricas, políticas e sociais que a sustentam.
A luta continua. A extrema-direita não foi derrotada. E a nossa editora precisa estar ainda mais comprometida com a transformação. ❤️
Não mexe na minha estante!
Essa semana eu recomendo a descnçar e festejar pela conquista do povo, pela democracia viva no país e polos dois meses intensos que vivemos, pois ganhamos a batalha, mas ainda tem uma grande guerra pela frente.
Quem avisa…?
Cartas e travessias da Casa IS #04 — O fim se aproxima e a resistência começa: mas o que acontecerá com a editora, independentemente do cenário político?
Antes de começarmos esta quarta edição de Cartas e Travessias da Casa IS, nossa publicação trimestral dedicada aos balanços, projetos e novidades da IS Editora, vale recordar um pouco do que compartilhamos na edição anterior. Assim, se esta é a primeira vez que você lê uma das nossas newsletters,
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Sabe aquela vitória suada aos 45 do segundo tempo? Foi assim.
E que finalmente nunca mais dar palco e espaço para fascist4s nas redes sociais.
Ah! E Janones pra SECOM já!