Um convite e uma pergunta que não para de me atravessar: onde estão as mulheres, as pessoas LGBTI+, negras e indígenas escrevendo, lendo, publicando e construindo comunidade aqui no Substack?
Temos, sim, a responsabilidade de abrir espaço para quem passou tempo demais sendo apagado/a, silenciado/a ou reduzido/a a nota de rodapé na história dos outros.
Porque uma comunidade de leitura só cresce de verdade quando cresce também em perspectivas. E, sinceramente? Acho que ainda há muitas cadeiras vazias por aqui. Talvez esteja na hora de puxarmos mais algumas para a roda.
Nos comprometemos a seguir de volta aqui no Substack as pessoas que desejem construir comunidade conosco.
Nos últimos meses, enquanto escrevia para o Pipoca na Manteiga, uma pergunta começou a me acompanhar de forma insistente. Quem está lendo estes textos? Quem está comentando? Quem está ocupando este espaço? E, principalmente, quem ainda não chegou? Porque quanto mais olho para o Substack brasileiro, mais tenho a sensação de que algumas vozes continuam aparecendo menos do que deveriam. Não porque não existam. Não porque não escrevam. Muito menos porque não tenham o que dizer. Mas porque, historicamente, mulheres, pessoas negras, pessoas LGBTI+ e pessoas indígenas sempre precisaram lutar mais para serem lidas, publicadas, escutadas e levadas a sério.
Talvez você já tenha percebido que a IS Editora nasceu justamente desse desejo de ampliar espaços. Ao longo dos anos publicamos autoras, autores, pessoas negras, pessoas LGBTI+, pesquisadoras, pesquisadores, escritoras e escritores independentes que muitas vezes não encontravam lugar nas estruturas mais tradicionais do mercado editorial. E é impossível não notar como algumas experiências continuam sendo tratadas como exceção quando deveriam fazer parte da conversa desde o começo. Onde estão as mulheres escrevendo sobre política, literatura, maternidade, filosofia e cotidiano? Onde estão as pessoas negras escrevendo sobre suas pesquisas, suas leituras, suas experiências e suas visões de mundo? Onde estão as pessoas LGBTI+ falando de amor, trabalho, família, religião e futuro? Onde estão as pessoas indígenas narrando o mundo a partir de perspectivas que a maior parte de nós sequer aprendeu a escutar?
Porque não se trata apenas de diversidade como palavra bonita para colocar em bio de rede social. Trata-se de ampliar o próprio mundo. Cada vez que lemos alguém diferente de nós, não estamos apenas conhecendo outra pessoa. Estamos descobrindo os limites da nossa própria experiência. E talvez uma das coisas mais perigosas que possam acontecer em qualquer espaço de escrita seja quando todos começam a parecer iguais, pensar igual ou contar as mesmas histórias.
Então este texto é, ao mesmo tempo, uma provocação e um convite. Se você é mulher, pessoa negra, pessoa LGBTI+, pessoa indígena ou pertence a qualquer grupo que historicamente precisou disputar espaço para existir publicamente, quero ler você. Quero conhecer seus textos, suas pesquisas, seus ensaios, suas crônicas, suas histórias. E mais: nós nos comprometemos a seguir de volta aqui no Substack as pessoas que desejem construir comunidade conosco. Porque comunidade não se faz apenas falando. Comunidade se faz lendo, acompanhando, comentando, compartilhando e criando pontes. E se você acompanha o Pipoca na Manteiga, compartilhe este texto com quem ainda não chegou. Talvez a pergunta mais importante não seja “quem está aqui?”, mas “quem ainda falta sentar à mesa?”.
Acho que ainda há muitas cadeiras vazias por aqui…
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