Cartas e travessias da Casa IS #03 — Há quase 30 anos contando uma grande história!
Uma narrativa que começou em mesas de RPG, atravessou cidades, amizades, personagens, livros e gerações. E segue viva até hoje através da IS Editora e agora no Substack com novas vozes.
Em abril de 2027, a Impérios Sagrados completa 30 anos. E, ao longo deste texto, você compreenderá melhor por que existe uma diferença entre a IS Editora e o RPG Impérios Sagrados, mesmo que ambos compartilhem a mesma raiz.
Este texto é uma tentativa de lembrar como tudo começou, o que a IS se tornou hoje e talvez também aquilo que ainda estamos tentando construir. Mas, acima de tudo, é uma tentativa de contar uma história para quem está chegando agora e, também, tocando o coração de quem faz parte de como tudo começou…
Bem, eu tinha ali 13 anos quando o Lucas, o Vinícius e o William, isso lá no Rio Grande do Sul, me convidaram para jogar RPG. E a gente começou a jogar mais ou menos ali entre março, comecinho de março. Começamos a jogar D&D, Dungeons & Dragons (um sistema de jogo de RPG, role-playing game, ou jogo de interpretação de papéis de personagens). Na terceira aventura, eles mataram o meu personagem: o Mago Azur. E o Lucas me disse: “Cris, você não serve pra jogador, você serve para mestrar”, ou seja, para ser mestre de jogo. Eu disse “OK”. Lembro que eu fiquei triste. E aí eu disse: “Bom, mas eu ainda não sei muito bem as regras do Dungeons & Dragons, do D&D.” Aí ele disse: “Ah, inventa, inventa alguma coisa”.
Eu comecei a rabiscar o que seria um sistema de jogo ali, um sistema muito simples, um sistema caseiro de jogo de RPG que nós batizamos de Impérios Sagrados ou IS. Então começou a primeira mesa de Impérios Sagrados, que durou mais ou menos uns três anos, talvez um pouquinho mais. Essa campanha, então, essa primeira mesa do jogo durou em torno de três anos, como eu disse acima. O Lucas interpretava (e interpreta) o James Relsin’d II, o William jogava com o Ziurian Zoldar II e o Vinícius com o Kryph Scout II. Infelizmente o Lucas e o William foram embora lá de Passo Fundo. E hoje, passados tantos anos, eu tenho dimensão da dor que foi não poder jogar mais RPG aos sábados e domingos. A partida do Lucas e do William gerou um vazio muito grande. Tanto que escrevi o livro Impérios Sagrados: Sombras do Entardecer, mas nunca o lancei.
O Vinícius e eu ficamos morando na cidade e nós não queríamos parar de jogar RPG. Então o Vinícius ficou na cidade junto comigo e nós montamos uma nova mesa de jogo de Impérios Sagrados, esse sistema de jogo caseiro. Claro que até ali eu já tinha rabiscado num caderno, feito ficha de jogo, mecânica de jogo, tudo muito simples, é claro. Um sistema de RPG muito baseado em D&D, GURPS, Vampiro e algo que já puxava para o épico e para o lendário, para uma alta fantasia enquanto estilo de jogo.
O Vinícius e eu montamos essa nova mesa de jogo e o Vinícius disse: “Eu não quero deixar de jogar com o Kryph Scout II”, que era o personagem dele desde o primeiro momento de existência do Impérios Sagrados. Eu disse: “Tudo bem, a gente continua a história.” Montamos uma mesa de jogo onde o Vinícius continuou jogando com o Kryph. No caso, na narrativa, o James já era imperador de um lugar chamado Zaurin. O Ziurian, personagem do William, também era imperador de um local chamado Turnni, tinha casado dentro do jogo. Então a narrativa continuou. Os personagens atuais iam buscar conselhos com esses personagens já épicos dentro da narrativa.
E o Vinícius jogou nessa mesa também mais alguns anos. Depois ele foi embora e as pessoas que estavam nessa mesa, como a Caroline Pinheiro, o Matheus Fossati, o Cássio Lampert, o Tiago Sikora, o Giovani Baseggio, o Luiz Paulo, o Vinícius Navarini e o Rafael Haeffner, continuaram jogando mesmo com a partida do Vinícius, depois que ele foi embora de Passo Fundo.
E a mesa continuou durante anos, até que eu fui embora de Passo Fundo e vim para Curitiba. Naquele momento tinha MSN, tinha Skype, e a gente continuou batendo papo, conversando, tentando jogar on-line da maneira que dava, da maneira que dava pra se virar ali. E com o tempo, é claro, eu fui fincando raízes em Curitiba e formamos uma mesa de jogo aqui. Então a história continuou. A gente meio que jogava on-line ali com o pessoal aqui de Curitiba. Às vezes o pessoal de Passo Fundo vinha até Curitiba visitar e a gente jogava junto.
Mas a história, a mesma narrativa desde a primeira mesa, continuava. Ou seja, as campanhas mudavam, os inimigos mudavam, mas a aventura continuava no mesmo universo de jogo chamado Impérios Sagrados, que já estava ali com o mundo chamado Asdem e pelo menos dois continentes bem consolidados, com seus impérios, reinos, tribos e sistemas de leis.
Então o sistema de jogo andava junto com a ambientação do universo de jogo dentro do mundo chamado Asdem, que hoje possui vários e vários planetas. Mas naquela época, no início em Curitiba, essa nova mesa foi formada pela Olivia Bonnetti, pelo Raphael Barbosa, o Carlos Alexandre, o Jackson Leoni e o Jonathan Drissis de Matos. Então essa mesa inicial aqui em Curitiba durou também alguns anos. Depois ela se desfez, mas o Jonathan, junto com o Raphael, continuaram jogando numa outra mesa de jogo.
Então é uma história que continua até hoje. Em abril de 2027 completará 30 anos.
Um jogador ou jogadora foi continuando na mesa, os mais antigos, às vezes retornando para novas campanhas mestradas por mim enquanto Mestre de Jogo, que a gente gosta de chamar de Artífice de Lendas, respeitando como entendemos hoje o cenário de jogo da IS.
Porque o sistema de jogo IS hoje já não faz mais tanto sentido pra gente enquanto sistema próprio, especialmente porque estamos adaptando tudo para Pathfinder Segunda Edição, que é um sistema aberto. Mas o cenário de jogo continua em constante expansão e com a contribuição de todas as pessoas que já passaram e passarão pelas Mesas de Jogo da IS. São quase 30 anos de uma narrativa contínua de Impérios Sagrados.
E o Jonathan jogou muitos anos também, em várias mesas da IS. Uma delas, muitos anos atrás, talvez mais de 10 ou 15 anos atrás, durou muitos anos e tinha Jonathan Drissis de Matos, Guilherme Kluber, Matheus Gonzaga Ribeiro Dias, Tatiana Gentil, entre outras e outros jogadores e jogadoras. Foi dessa maneira que, até hoje, quase 30 anos depois, a história continua também através dos livros que eu escrevi e que contam essas narrativas. E aqui cito o jogador Yuri Nalin que interpretou (ou é interpretado rsrsr) o Andrius Ravier Firenze (imortalizado na trilogia A Ruína de uma Era e em O Primogênito do Sol, lançados pela IS Editora).
Então, desde os primeiros personagens, como James, Kryph e Ziurian, eles seguem presentes na narrativa de uma forma ou de outra. Claro, o mundo avançou, os anos passaram dentro do jogo e fora dele também. Dentro do jogo passaram-se 200, 300, 400, 500 anos. Mas há personagens que ainda vivem, como James II, e personagens que estão imortalizados na história. O Lucas mora em Londres hoje e joga eventualmente com o James até hoje.
Então são tanto os personagens quanto os jogadores que têm muito a ensinar em termos de interpretação de personagem e construção coletiva de narrativa. E a mesa atual hoje está no streaming da mesa de RPG pelo canal da IS no YouTube. Também sai na plataforma Substack. Nós usamos o Foundry VTT e estamos utilizando e passando todo o antigo sistema IS para Pathfinder Segunda Edição Remaster. E finalmente fazendo com que, especialmente o cenário de jogo da IS, seja, ao meu ver, imortalizado talvez na história.
A Olivia, que joga com a Aalyah, é da primeira Mesa de Jogo aqui de Curitiba (quase 20 anos). O Adriano joga com o Darkassan (mais de 11 anos jogando), o Welyson joga com o Nefesh (10 anos jogando), o Luís Otávio joga com o Illarín (1 ano jogando). Já o Geraldo, que joga com o Guntar, a Lazulli, que joga com Briar, e a Miriam, que joga com Eíra, estão há 2 meses jogando.
E a transformação dessa mesa de jogo, dessas narrativas e desse universo em uma empresa, na IS Editora, aconteceu há cerca de sete anos atrás. Mas, pra mim, sempre foi importante entender que, embora elas se misturem, tenham a mesma raiz histórica e compartilhem personagens, histórias, mundos e até uma lógica transmídia, elas continuam sendo coisas distintas assim como em A caverna do dragão, D&D e a empresa dona da marca.
A mesa de jogo IS continua sendo uma experiência viva de narrativa coletiva, interpretação e construção de mundo através do RPG. Já a IS Editora se tornou um ecossistema criativo próprio, envolvendo literatura, filosofia, psicanálise, cinema, RPG, Podcasts, Eventos e Produção Cultural como um ecossistema de capital intelectual. Elas dialogam o tempo inteiro. Se atravessam. Se alimentam mutuamente. Mas nunca deixaram de ser coisas diferentes. E talvez seja exatamente isso que mantém ambas vivas até hoje.
A entrada de inúmeras novas vozes vindas do Substack, acolhidas no que chamamos de Casa IS, dá um novo ânimo e um novo sabor para tudo isso. Porque a IS nunca foi apenas sobre manter uma história viva, mas também sobre permitir que novas pessoas atravessem essa história, transformem ela e também sejam transformadas por ela. Ver pessoas chegando para escrever, comentar, publicar, dialogar, criar mundos, compartilhar afetos, críticas, dores e imaginações faz com que eu perceba que talvez a IS tenha finalmente se tornado aquilo que ela sempre tentou ser desde aquelas primeiras mesas de RPG: uma comunidade construída coletivamente através da narrativa.
Por: Cristian Abreu de Quevedo
E o que pensa a Diretoria da IS?
Welyson
Sou o diretor de projetos e sinceramente me vejo como o responsável pelas questões técnicas de boa parte das atividades da IS, desde o funcionamento e manutenção dos sistemas que usamos, como também responsável pelas questões mais “mecânicas” das nossas atividades. Eu nunca enxerguei a IS apenas por o que ela entrega ao público, pois estou na IS antes mesmo dela se tornar uma startup, então vejo os ideais e sonhos talvez na sua forma mais crua, fora os anos de ações e contatos além de institucionais e de produção. A todo momento vejo o sonho original da IS. O mesmo motivo que me fez entrar na IS original: eu acredito no sonho, talvez mais ainda com o passar dos anos por esse sonho ser meu também. Eu sempre digo que a IS é uma grande aventura da qual compartilhamos, um ideal pelo qual vale a pena lutar com unhas e dentes,
A adaptação do sistema de RPG para Pathfinder está andando, talvez ainda um pouco lenta, mas com resultados visíveis, a mesa de RPG está com caras novas e principalmente com representatividade feminina, algo que procuramos muito no ano anterior, sem falar que agora de fato as lives estão acontecendo na frequência desejada. Ainda temos um longo percurso nessa parte, mas vejo se desenrolando cada vez mais. Já a venda de livros ainda é um desafio, precisamos colocar isso nos eixos e encontrar alternativas para equilibrar essa balança com urgência, afinal a nossa aventura ainda está longe de acabar.
Caroline
Sou a pessoa que como digo dá o pitaco nos projetos que estão em desenvolvimento na IS, procurando não esquecer o passado mas linkando com o futuro. A história construída me faz crer na existência da IS e ver cada vez mais pessoas querendo participar desta história. Viver a Daiha na mesa de Jogo de RPG é um presente que a IS me deu, e com certeza ela faz parte de muitas opiniões e decisões que se desenham na diretoria. O que mantém vivo o desejo com certeza é lembrar que tudo foi criado desde os personagens, as histórias e a édito. Nas dificuldades o que me faz ter fé na IS e continuar apesar de tudo é acreditar que todos merecem conhecer as histórias que foram e estão sendo escritas.
Bernardo
Eu sou responsável pelo projeto de comunicação e marketing da IS, especialmente na parte criativa, desenvolvendo ideias, campanhas e buscando soluções para problemas que ocorrem dentro da nossa equipe, sejam internos ou externos. Ocupo um lugar dentro da Diretoria onde aponto direcionamento para os meus colegas sobre os caminhos possíveis para construção da marca, trabalhando para tornar alguns processos mais claros e executáveis.
As pessoas. Os leitores que fazem parte da nossa história, assim como os escritores que contribuíram conosco ao longo dos anos, e claro que os livros. A editora sempre mostrou iniciativa para trabalhar com autores novos, apostando na literatura nacional e à sua própria maneira construiu um espaço que sinto ser acolhedor para quem deseja começar a jornada na literatura. Seja enquanto leitor, ou como escritor. Quando nossos autores estão trabalhando para finalização das suas obras, divulgando seus trabalhos, mostrando as suas individualidades, creio que isso aponta na direção que enxerguei desde o princípio: O protagonismo coletivo.
Nunca pensei dessa forma. Tive medo de não conseguir atingir as pessoas com o sentimento que tenho pela editora, não entregar aos autores a experiência que gostaria de ter, e não estar conectado com os nossos leitores. A vontade de acertar como editora e vivenciar a emoção de estar pertinho da literatura, construindo ela com outras pessoas.
A motivação para seguir caminhando com a equipe, em sua maior parte, é totalmente pessoal. Eu sou apaixonado por literatura, quero trilhar a minha história possibilitando que outras pessoas também se apaixonem. Quero poder incitar a possibilidade de mudança que leitores e escritores podem ter em suas vidas. Quando é silencioso preciso saber de onde vêm o silêncio, mas acho que onde ele nasce também está a responsabilidade de manter operando um sonho. Um sonho que não é sonhado sozinho. Confesso que a distância é também um fator que causa afastamento, mas são circunstâncias que operam em outra dimensão. Trabalho, autoestima, saúde, etc.
A IS abriu algumas portas para conhecer um lado diferente do meu trabalho enquanto escritor e poeta. Percebi haver muito mais potencialidades no que faço, abracei o trabalho para construir um futuro literário onde pudesse reconhecer meu esforço e ver outros escritores brilhando com suas obras. Se fosse apenas entrelaçar essa vida seria fácil, difícil é entrelaçar isso com a minha responsabilidade com as contas que tenho que pagar, estar bem mentalmente e fisicamente, conseguir ter tempo para descanso, entre outras coisas. Se minha vida fosse apenas ser poeta, escritor e Diretor, confesso que seria mais fácil.
O meu projeto para 2026 tem sido concretizado com muito esforço, tenho feito novas leituras e pensado novos projetos, além de estar construindo o meu próprio caminho enquanto indivíduo. Estou cada vez mais adentrado na minha jornada para construção do eu. O que vem pela frente é mais trabalho para divulgar mais livros, construir uma comunidade de leitores engajada, escritores que tenham em mente os seus papéis dentro da editora. Estou apostando nos livros que temos pela frente neste ano. Creio que tivemos uma melhora na abordagem da nossa equipe, porém sinto que ainda falta ser melhor alinhado o nosso objetivo para vender os livros.
Eu, Cristian, já escrevi acima rsrsrs
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Depois da Sessão #1 — Quando a cultura geek encontra as histórias que nos formaram
Olá, pessoal! Estamos começando uma nova newsletter na IS. Para explicar melhor, ela irá funcionar da seguinte forma: a cada 15 dias vamos publicar uma nova edição do Depois da Sessão”, uma newsletter que fala sobre assuntos mais nerds, como RPG, séries, filmes, mangás,
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Uma história longeva e bonita! Agora, pra mim, o propósito começa a fazer sentido. A casa começa a fazer sentido. E poder fazer parte de uma trajetória (mesmo que só há uma semana) que se constrói pela paixão aos universos, pela valorização do coletivo e das narrativas que perpassam as décadas de forma viva, orgânica, possível somente porque essa caminhada foi atravessada por pessoas, mentes, imaginações, subjetividades, muito antes de qualquer outro interesse, é o que, de fato, me traz outra dimensão de pertencimento e torna essa relação antes de mais nada, uma relação de afeto. Obrigado por compartilhar essa história e por me acolher neste espaço!
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