Por: Welyson Pereira dee Almeida
O Alienista
Um turbilhão de pensamentos.
O que fazer, o que não fazer, qual vai ser o futuro, como mudar. Minhas compulsões, meus dramas, os dramas que me envolvem, os dramas dos outros dos quais não consigo fugir. As obrigações, as expectativas e os desapontamentos. As esperanças reacendidas e depois apagadas logo em seguida.
Parece que essas últimas semanas foram um turbilhão de tudo isso e muito mais. Somado, é claro, aos meus exageros e às consequências deles, pelas quais estou passando neste momento.
E, mesmo com muito trabalho para ser feito, com muitas coisas que eu poderia — e gostaria — de fazer, coisas que sei que agregariam muito no futuro, eu me sinto nesse turbilhão, às vezes sem entender para onde ir ou o que fazer. Mesmo quando preciso fazer alguma coisa, acabo não encontrando forças ou motivação para simplesmente começar.
É uma sensação estranha.
É claro que não é a primeira vez que me sinto assim, mas tudo acontecendo ao mesmo tempo, condensado em tão poucos dias, me gera uma confusão. Se antes havia uma confusão provocada por uma expectativa que nasceu na última semana, no fim de semana seguinte senti como se ela tivesse sido esmagada. Pelo menos foi assim que senti.
Sei que o impacto disso também aflorou todo esse meu turbilhão.
É algo estranho, confuso. Algo que às vezes me faz querer que o tempo simplesmente pare. Apenas existir sem precisar pensar em nada, fazer nada, decidir nada. Poder simplesmente respirar por alguns segundos.
Por longos segundos.
Talvez “sufocante” seja uma palavra melhor.
É justamente essa sensação que me fez ter tanta dificuldade para escrever este texto. Sinto-me cada vez mais preso nesse turbilhão de planos e replanos, expectativas e reexpectativas, esperanças e perdas de expectativas, desapontamentos e novas tentativas. Tanta coisa acontecendo dentro da minha cabeça e, no fim, continuo preso no mesmo lugar. Sem me mexer.
Muita coisa para pensar. Muita coisa passando pela minha cabeça. Um desalinhamento entre a maneira como enxergo o mundo e aquilo que acontece ao meu redor.
E, enquanto tudo isso acontece, o tempo não para.
O tempo corre.
E, quanto mais ele corre, mais exigentes parecem se tornar as ações que preciso tomar e mais custoso parece ser fazer aquilo que precisa ser feito.
É estranho ler as próprias palavras que acabei de escrever e, ao mesmo tempo, me preocupar com o que disse e me sentir motivado por elas.
De novo, é estranho.
Eu sei que é um processo. Estou trabalhando em análise toda semana muito em relação a isso, a vários desses aspectos. E, por mais que me entender melhor também traga esse estranhamento — e até essa sensação de estar sendo sufocado por mim mesmo —, às vezes também me ajuda a entender.
Me ajuda a entender.
Ler essas palavras, por mais desesperançosas que possam parecer, me faz perceber o quanto elas são reflexo desse golpe da última semana. Algo que, é claro, minha analista ouviu muito bem na nossa última sessão, mas que realmente me desanimou depois de uma esperança ter sido reacendida.
E, mesmo com tudo isso, sinto que não posso simplesmente parar.
Se o tempo parasse, eu desfrutaria dessa pausa como água em meio ao deserto. Mas sinto que, se eu parar, vou me afundar nesses pensamentos, me afundar nessas manias. Algo que fiz durante anos e que, mesmo sem gerar algo muito mais preocupante, constantemente me tragou para baixo.
Preciso agir.
Talvez pensar no agora e esquecer um pouco do amanhã, justamente aquilo que mais me aflige nos meus pensamentos e nos acontecimentos. Focar no que está acontecendo agora.
Talvez focar em como mudar o agora. Em como fazer o agora de uma forma diferente. Em como mudar algumas questões que parecem travadas eternamente, mas fazer isso no agora, sem pensar necessariamente no reflexo que terão no futuro.
Não sei.
Não sei. São pensamentos.
E são pensamentos assim que me fogem da mente, que tragam as palavras e que, quando tento escrever, fazem com que eu só saiba que foi assim. Embora isto não seja um diário ou parte da minha análise, o texto acaba sendo tomado pelo que está na minha mente.
De novo, uma sensação muito estranha.
Mas agir me parece exatamente a oposição à paralisia, mesmo que agir não signifique resolver o problema.
É claro que estou buscando maneiras de resolver algumas dessas questões. A análise é uma delas. Eu penso sobre tudo isso. Mas, ao mesmo tempo, apenas pensar pode fazer com que eu continue tragado nesses mesmos pensamentos, principalmente agora, quando ainda me sinto tão impactado pelos últimos acontecimentos.
E agir, pelo menos dessa maneira, pode ser apenas escapismo.
Vai saber.
Talvez minha analista, se um dia ler isso — ou se algum dia eu disser exatamente essas palavras para ela em uma sessão —, possa me dar outro ponto de vista. Talvez me ajude a refletir sobre outra questão.
Mas, neste momento, agir me parece um meio de enfrentar essa paralisia. Essa busca por uma resposta para o futuro. Essa equação que não consigo resolver porque não consigo chegar ao resultado que pretendo — ou porque sequer consigo ter certeza de qual seria o resultado certo.
Talvez seja menos sobre resolver o amanhã e mais sobre transformar o agora para que eu chegue de uma maneira diferente até ele.
Não ficar simplesmente parado e sufocado por aquilo que não consigo desenvolver, por aquilo que não consigo resolver — se é que algumas dessas questões pessoais têm uma solução.
Agir não necessariamente para encontrar a resposta.
Agir para não ficar sufocado enquanto ela não vem.
Uma forma de existir e seguir em frente mesmo quando ainda não tenho as respostas que gostaria de ter.
Não mexe na minha estante!
A minha recomendação é para quem ainda não assistiu ao filme Homem-Aranha: Um Novo Dia. Eu recomendo demais assistir a esse filme.
Eu escutei várias críticas, em vários momentos, sobre várias questões, mas talvez ele seja um dos filmes que mais se aproximam do primeiro filme de herói — e talvez do meu filme de herói predileto —, que é Homem-Aranha 2, do Sam Raimi, com Tobey Maguire. Contextualizando, ele foi o primeiro filme live-action que eu assisti na minha vida, e isso marcou muito a minha visão sobre o que é um herói.
E é engraçado dizer isso porque a gente viveu o boom dos super-heróis e os filmes do Homem-Aranha nunca estavam no foco principal disso também, embora agora tenhamos chegado à casa de quatro filmes do MCU com o Homem-Aranha.
E existem muitas críticas sobre um Homem-Aranha que não passava pelas dificuldades pelas quais o Homem-Aranha dos quadrinhos, dos filmes anteriores e das séries animadas passou, vide questões financeiras e questões pessoais.
No entanto, esse filme marcou mais ainda a visão que eu tenho do Homem-Aranha como uma das maiores definições de super-herói. Uma visão marcada principalmente pelo segundo filme do Tobey Maguire como Homem-Aranha.
E, neste filme, ele não deixa de me alegrar com o que foi produzido, com a representação e com a história que foi apresentada.
Há muitas críticas sobre introduções de outros personagens e blá blá blá, que não vêm ao caso. Eu sinto que isso casou muito com essa história, principalmente com a construção de um Homem-Aranha que está muito inserido no MCU e do qual não tem como simplesmente desgrudar. Porque, vira e mexe, vai voltar aquela crítica de que o MCU não está andando para lugar nenhum.
E esse filme tem uma das cenas de super-herói dos últimos tempos que tirou lágrimas dos meus olhos.
Acredito que as pessoas que estavam assistindo comigo não perceberam, pela luminosidade da sala, mas eu me emocionei com uma cena no final do filme que representou muito daquilo que o Homem-Aranha é para mim.
Fica aqui a minha recomendação para essa semana.
Quem avisa…?
Alguns textos das publicações semanais da nossa equipe de Escritoras e Escritores aqui do Substack!
Arquitetos do Caos IS #4 — Há quase 30 anos eu respeito as regras do jogo, inclusive quando um personagem morre em definitivo durante a aventura de RPG
Há alguns meses venho conhecendo, lendo, estudando, comprando livros, pesquisando e tentando compreender cada vez melhor o Pathfinder 2e Remaster. Foram praticamente 29 anos jogando com um sistema próprio, que chamamos de Impérios Sagrados e, não, não confundir com impérios salgados rsrs. Desde janeiro de 2026, porém, começamos paulatinamente a ad…
Pipoca na manteiga #47 — Quinze dias para atravessar algumas barreiras
Eu terminei Quinze Dias com aquela alegria boa de quando um filme brasileiro consegue ser leve sem ser vazio. Gostei mesmo. Gostei de Felipe, gostei de Caio, gostei do cuidado com que a história acompanha dois garotos durante aqueles quinze dias de férias e, principalmente, gostei de perceber que estava diante de um filme LGBTI+ que não precisava transformar cada minuto de sua existência em sofrimento para justificar a importância daquilo que estava contando.
📌Para você fazer parte da Casa IS:
🔗 Site: imperiossagrados.com.br
📚 Wikipídia: wiki.imperiossagrados.com.br
✉️ IS Editora: imperiossagrados@gmail.com
📸 Instagram: @iseditora
💬 Grupo da IS Editora no WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/Lk2QqOK0vN0Dja67tDnjzo
🎙️ Nosso podcast: Podcast IS






